Dólar em Alta: Tensões no Oriente Médio e Juros Americanos Adiam Corte da Selic
O dólar americano registrou uma forte alta nesta quinta-feira (12), fechando o dia cotado a R$ 5,2423, o que representa um avanço de 1,61%. Diversos fatores contribuíram para esse movimento, com destaque para a escalada das tensões no Oriente Médio e a recente divulgação de dados de inflação no Brasil.
O mercado financeiro reagiu com apreensão às declarações do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, que ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o transporte de petróleo. A incerteza geopolítica global, combinada com a divulgação de uma inflação brasileira acima do esperado, alimentou o movimento de busca por segurança na moeda americana.
Esses eventos levaram os investidores a adiar suas expectativas sobre o início do ciclo de corte de juros nos Estados Unidos. A probabilidade de uma redução na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) em setembro diminuiu, com dezembro emergindo como o novo mês mais provável para tal medida, conforme indicações do CME Group.
Escalada de Tensão no Oriente Médio Impulsiona Dólar
As declarações de Mojtaba Khamenei, de que os Estados Unidos deveriam fechar todas as suas bases na região e que o Estreito de Ormuz deveria permanecer fechado como forma de pressão, aumentaram o risco geopolítico. Esses comentários surgiram em um contexto de recentes ataques a navios-tanque no Golfo Pérsico, com a Guarda Revolucionária do Irã reivindicando responsabilidade por alguns deles.
Analistas do Bradesco BBI, Vicente Falanga e Ricardo França, destacaram em relatório que os incidentes representam uma clara escalada na ameaça ao transporte marítimo em uma das rotas de petróleo mais estratégicas do mundo. Para eles, o que antes era visto como retórica geopolítica está se traduzindo em ataques diretos, adicionando um prêmio de risco adicional ao mercado.
Mercado Adia Corte de Juros nos EUA e Dólar se Valoriza
A crescente instabilidade no Oriente Médio levou os investidores a reavaliar as perspectivas para a política monetária do Federal Reserve. A probabilidade de um corte na taxa de juros americana em setembro caiu de 57,2% para 55,2% em dezembro, segundo dados do CME Group. Na véspera, a aposta majoritária era para um corte em julho.
Esse adiamento no início do ciclo de afrouxamento monetário nos Estados Unidos contribui para a valorização do dólar globalmente. O índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, operava em alta de 0,50% no final da tarde.
Inflação Brasileira Surpreende e Medidas de Combustíveis Impactam o Câmbio
No cenário doméstico, a inflação de fevereiro veio acima do esperado, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrando alta de 0,70%, segundo o IBGE. Esse resultado, que acumulou 3,81% em 12 meses, surpreendeu negativamente os analistas, como Mariana Rodrigues, da SulAmérica Investimentos.
Para a Genial, o dado de inflação fortaleceu a aposta em uma redução mais modesta na taxa Selic, com um corte de 0,25 ponto percentual, levando-a de 15% para 14,75% ao ano. A próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) está agendada para a próxima quarta-feira (18).
Em resposta à disparada dos preços do petróleo, o governo brasileiro anunciou medidas para conter os custos dos combustíveis. A zeragem do PIS/Cofins sobre o diesel importado e comercializado, além de uma subvenção, visam reduzir o preço em R$ 0,64 nas refinarias. Em contrapartida, foi instituído um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo. Especialistas avaliam que o impacto fiscal dessas medidas tende a ser neutro, com o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, indicando que não deve haver dúvidas quanto ao cumprimento da meta fiscal.

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