Mercado Financeiro em Sobressalto: Greve de Caminhoneiros Joga DIs para Cima
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs), que haviam oscilado em baixa durante a maior parte do pregão, fecharam em alta nesta terça-feira (17). O movimento foi uma reação direta do mercado a especulações sobre uma possível greve de caminhoneiros nos próximos dias, um cenário que historicamente gera apreensão quanto à estabilidade dos preços.
A elevação das taxas ocorreu mesmo com o Tesouro Nacional realizando duas intervenções no mercado de títulos. O objetivo dessas operações era recomprar e vender papéis, buscando eliminar distorções na curva a termo. No entanto, o receio de um novo protesto logístico se sobrepôs às ações de política monetária.
A taxa do DI para janeiro de 2027, por exemplo, encerrou o dia em 14,135%, apresentando uma alta de 7 pontos-base em relação ao fechamento anterior. Na ponta mais longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 registrou 13,785%, com uma elevação de 2 pontos-base. Essas variações refletem a crescente incerteza no ambiente econômico.
Leilões do Tesouro e Estabilização de Títulos
Durante a manhã e boa parte da tarde, as taxas futuras apresentaram recuo. Isso foi impulsionado pelos leilões de títulos promovidos pelo Tesouro Nacional e por uma relativa acomodação dos Treasuries nos Estados Unidos. A guerra no Oriente Médio, que causou nova alta no preço do petróleo, parecia não impactar tanto o mercado de juros brasileiro inicialmente.
O Tesouro Nacional atuou na recomprada de 7,6 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 5 milhões de Notas do Tesouro Nacional (NTN-F), ambos títulos prefixados, totalizando um valor de R$ 9,05 bilhões. À tarde, a operação continuou com a recompra de 1,629 milhão de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), títulos indexados à inflação, no valor de R$ 7,077 bilhões. Simultaneamente, houve a venda de 244,6 mil NTN-B, somando R$ 1,052 bilhão.
Essas operações extraordinárias visam combater distorções na curva a termo brasileira, um esforço em meio à pressão inflacionária gerada pelo conflito no Oriente Médio. Contudo, o impacto dessas ações foi eclipsado pelas notícias sobre a possível greve.
Ameaça de Greve e Impacto na Inflação
A virada do mercado ocorreu no período da tarde, quando o jornal Folha de S. Paulo noticiou a articulação de uma paralisação nacional por caminhoneiros em diversas regiões do país. O protesto seria contra o aumento do preço do óleo diesel. Apesar da falta de uma data definida e da incerteza sobre a adesão total da categoria, o receio de que uma greve possa impulsionar a inflação fez as taxas futuras de juros atingirem seus picos.
A taxa do DI para janeiro de 2027, que atingiu uma mínima de 13,975% às 11h08, após a primeira intervenção do Tesouro, disparou para a máxima de 14,245% às 15h43. Essa reversão brusca evidenciou a sensibilidade do mercado a notícias que apontam para um possível desabastecimento e aumento de custos.
Dúvidas sobre a Selic e Decisões de Bancos Centrais
Além das especulações sobre a greve, o mercado financeiro segue atento às decisões iminentes dos bancos centrais. Na noite de quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) anunciará sua decisão sobre a taxa Selic. As expectativas variam entre um corte de 25 pontos-base ou a manutenção da taxa básica em 15% ao ano.
Os receios de que o BC possa optar pela manutenção da Selic aumentaram no mercado, embora a precificação dos ativos ainda aponte para uma maior probabilidade de um corte de 25 pontos-base. A possibilidade de um corte mais agressivo, de 50 pontos-base, que era amplamente precificada antes da guerra no Oriente Médio, perdeu força e se tornou minoritária.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) também anunciará sua decisão sobre os juros. O mercado já precifica amplamente a manutenção da taxa na faixa de 3,50% a 3,75%. No Brasil, o rendimento do Treasury de dois anos fechou a 3,678%, e o de dez anos, a 4,200%, mostrando relativa estabilidade nesses mercados.

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