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Copom Inicia Cortes na Selic com Cautela: Guerra no Oriente Médio Aumenta Incerteza e Impacta Inflação

Copom corta juros pela primeira vez em ciclo de afrouxamento, mas cautela marca o tom diante da guerra e inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom) deu início ao ciclo de redução da taxa básica de juros, a Selic, de forma conservadora. Em decisão unânime, o colegiado do Banco Central (BC) optou por um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano. Este primeiro movimento reflete um ambiente de maior incerteza, especialmente com o acirramento dos conflitos no Oriente Médio.

O comunicado divulgado pelo BC destacou a elevação da volatilidade nos mercados globais e a pressão sobre os preços de commodities como fatores que intensificaram os riscos inflacionários. A autoridade monetária também apontou para um distanciamento adicional da meta de inflação no horizonte relevante, com projeções que indicam um IPCA de 3,3% para 2027, acima do centro da meta de 3%, mas dentro da faixa de tolerância.

Apesar das preocupações com a inflação de serviços e expectativas desancoradas, o Copom avaliou que a manutenção prolongada da taxa de juros em patamar restritivo já demonstra efeitos sobre a atividade econômica. Sinais de desaceleração ao final de 2025 abriram espaço para o início da “calibração” da política monetária, conforme informações divulgadas pelo Banco Central.

Cenário Externo e Riscos Inflacionários em Destaque

A economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawauti, ressaltou que o tom do comunicado trouxe uma inflexão importante, com o aumento das incertezas relacionadas ao contexto externo dominando a comunicação. Ela observou que a alta das commodities já reflete nas projeções inflacionárias, com a expectativa do IPCA para 2026 passando de 3,4% para 3,9%.

Leonardo Costa, economista da ASA, concordou que o ambiente externo foi central na comunicação do Comitê. Segundo ele, o balanço de riscos para a inflação “se intensificou adicionalmente” após o início das tensões, mas o BC iniciou o corte de juros por entender que a política monetária restritiva já produziu efeitos sobre a atividade econômica.

Ritmo dos Cortes: Cautela e Dependência de Dados

Para os próximos passos, o Banco Central sinalizou que o ritmo de cortes na Selic dependerá da evolução dos dados econômicos e do cenário global. O comunicado enfatizou a necessidade de “serenidade e cautela na condução da política monetária”, para que os ajustes futuros incorporem novas informações sobre os conflitos no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços.

O Copom reconheceu evidências da transmissão da política monetária na desaceleração da atividade econômica, o que abre espaço para ajustes. Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, acredita que o corte de 0,25 ponto percentual deve se manter até que as perspectivas internacionais melhorem. Ele sugere que, em caso de resolução do conflito e queda do preço do petróleo, um corte de 0,5 ponto poderia retornar à mesa.

Mercado Espera Trajetória Gradual e Responsiva

A leitura do mercado é que o Copom iniciou o ciclo de cortes, mas sem compromisso com uma trajetória linear. A elevada incerteza, especialmente no ambiente externo, sugere que a condução da política monetária continuará marcada pela cautela, com ajustes graduais e atentos às novas informações. A decisão reflete um Banco Central que busca equilibrar a necessidade de estimular a economia com o controle da inflação em um cenário global volátil.

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