Minerva (BEEF3) projeta ano mais desafiador em 2026 após resultados históricos em 2025, com atenção a tensões globais e políticas comerciais.
A Minerva, líder na exportação de carne bovina na América do Sul, divulgou resultados financeiros expressivos para 2025, superando as projeções do mercado. No entanto, a companhia já sinaliza que o ano de 2026 poderá apresentar desafios maiores, influenciados por fatores geopolíticos e econômicos.
Os números de 2025 foram impulsionados pela consolidação de aquisições estratégicas, que ampliaram significativamente a capacidade produtiva da empresa. Essa expansão contribuiu para um desempenho financeiro recorde, com lucros líquidos e geração de caixa que chamaram a atenção dos analistas do setor.
Apesar do otimismo com os resultados recentes, a Minerva se prepara para um cenário internacional mais volátil. A guerra no Irã e as novas políticas tarifárias da China para carne bovina são pontos de atenção que podem impactar as operações e a rentabilidade da companhia no próximo ano, conforme divulgado pelos diretores da empresa nesta quarta-feira (18).
Resultados Recordes em 2025 Impulsionados por Aquisições Estratégicas
A Minerva (BEEF3) fechou o quarto trimestre de 2025 com um lucro líquido de R$ 85 milhões e alcançou um resultado anual recorde de R$ 848,3 milhões. Este desempenho contrasta fortemente com o prejuízo de mais de R$ 1,5 bilhão registrado em 2024. A empresa, que obtém cerca de 60% de suas receitas em mercados internacionais, viu sua geração de caixa, medida pelo Ebitda, atingir R$ 1,17 bilhão no trimestre, um crescimento de 24,1%. No acumulado do ano, o Ebitda alcançou um recorde de R$ 4,8 bilhões, com alta de 54,1%.
Executivos da Minerva atribuíram o desempenho superior às expectativas à conclusão bem-sucedida de diversas aquisições realizadas junto ao concorrente Marfrig (atual MBRF). Essas aquisições elevaram o número de unidades produtoras de 26 para 38, concentradas principalmente na América do Sul. O diretor financeiro, Edison Ticle, destacou que a empresa “bateu todas as estimativas iniciais de todos os analistas”, incluindo receita líquida, Ebitda, resultado líquido e dívida.
A integração dessas novas unidades permitiu uma diluição mais eficiente dos custos e despesas, maximizando oportunidades de arbitragem e elevando o patamar de rentabilidade. Essa estratégia fortalece a base de negócios da Minerva para enfrentar os desafios de 2026.
2026: Cenário de Custos Elevados e Novas Barreiras na China
Apesar dos sucessos de 2025, a Minerva (BEEF3) antecipa um primeiro trimestre de 2026 mais complexo. O diretor financeiro, Edison Ticle, apontou a volatilidade dos mercados globais, exacerbada pela guerra no Irã, e o aumento dos custos de transporte devido à alta do petróleo como fatores de pressão. “Dependendo do que acontecer, devemos ter um ano de 2026 realmente pior do que em 2025”, afirmou Ticle.
Contudo, Ticle também ressaltou que o balanço global de oferta e demanda de carne bovina deve permanecer deficitário, o que pode sustentar um aumento nos preços. “No mundo, este ano, tem menos oferta. Austrália, Brasil, EUA, China vão produzir menos. Isso abre espaço em cenário de demanda estável para aumento de preços”, explicou.
Um dos principais desafios apontados é a nova política de salvaguardas da China, principal importador de carne bovina brasileira. O país asiático implementou tarifas adicionais de 55% para importações que excedam uma cota anual de pouco mais de 1 milhão de toneladas. “Obviamente limita a China como destino, e o Brasil tem que trabalhar outra alternativa de mercado”, comentou o diretor-presidente Fernando Galletti de Queiroz.
Minerva Busca Alternativas de Mercado e Expansão nos EUA
Diante das novas tarifas impostas pela China, a Minerva (BEEF3) planeja mitigar os impactos buscando diversificar seus mercados de exportação e fortalecer sua atuação nos mercados internos. Queiroz destacou que unidades da empresa em outros países, como Argentina, Uruguai e Colômbia, não sofrem o mesmo nível de impacto que as exportações brasileiras diretas para a China. Isso permite à Minerva “diluir essa dificuldade em outros mercados externos”.
Além disso, a companhia vê um potencial de crescimento “bastante significativo” nas vendas para os Estados Unidos, utilizando também suas operações em países como Argentina, Paraguai e Uruguai. Essa estratégia de diversificação geográfica visa reduzir a dependência de um único mercado e explorar novas oportunidades de crescimento.
Em relação ao impacto da guerra no Oriente Médio nas exportações, o CFO informou que a região afetada representa menos de 7% do faturamento de exportação da companhia. Embora parte do abastecimento para o Oriente Médio continue por rotas alternativas, o executivo mencionou um encarecimento das operações devido ao frete marítimo, mas avaliou o impacto no faturamento como “pequeno em relação a destinos”.
Proposta de Dividendos e Perspectivas para o Futuro
Em paralelo aos desafios e estratégias para 2026, a Minerva (BEEF3) anunciou uma proposta de distribuição de dividendos complementares no valor de R$ 30,8 milhões. Somados a uma distribuição antecipada, o montante total de dividendos propostos para o ano fiscal de 2025 atinge R$ 192,9 milhões. A proposta será submetida à aprovação em assembleia geral em abril.
Apesar das incertezas, a diretoria da Minerva demonstra confiança na capacidade da empresa de navegar por um cenário mais complexo. A expansão recente e a diversificação de mercados são vistas como pilares para manter a resiliência e buscar novas oportunidades de rentabilidade em 2026.

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