Ruralistas buscam novo rumo para 2026: Flávio Bolsonaro surge como opção diante da insatisfação com o governo Lula
A relação da bancada ruralista com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se deteriorou consideravelmente no atual mandato. Parlamentares e líderes do setor, ouvidos pelo Money Times, indicam que o atual ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), tornou-se uma figura sem interlocução no Congresso, inviabilizando qualquer trégua.
A insatisfação se intensifica com a ausência de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, como um nome forte na disputa presidencial. Diante desse cenário, o senador Flávio Bolsonaro (PL) ganha força como uma alternativa natural para a bancada ruralista, que se declara majoritariamente contrária ao PT.
Apesar de Geraldo Alckmin (PSB), vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ser visto como a única ponte de diálogo com o governo, sua posição é descrita como estar “no governo errado”. Conforme informações divulgadas pelo Money Times, essa conjuntura leva os ruralistas a considerar Flávio Bolsonaro como um candidato com potencial para o Planalto, caso a polarização com Lula se mantenha.
Alckmin, a “única voz” com interlocução, mas no “governo errado”
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), ressalta que Geraldo Alckmin é a única figura com quem a bancada consegue dialogar no governo atual. Lupion destaca o conhecimento de Alckmin sobre o setor produtivo, proveniente de sua experiência como governador de São Paulo. No entanto, ele lamenta que o vice-presidente esteja “no governo errado”, indicando uma profunda discordância com as políticas e a direção do governo Lula.
A falta de sintonia com o Ministério da Agricultura é um ponto central da crítica. Parlamentares como Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), decano da FPA, apontam que Carlos Fávaro “sistematicamente jogou contra” os interesses do setor, falhando em defender políticas essenciais como financiamento, seguro rural e pesquisa. A situação é tão tensa que, em abril de 2023, Fávaro foi desconvidado da abertura da Agrishow, a principal feira do agronegócio na América Latina.
Flávio Bolsonaro: o “favorito” em um cenário sem Tarcísio
Com Tarcísio de Freitas praticamente fora da disputa presidencial, a aproximação da bancada ruralista com Flávio Bolsonaro se torna uma consequência natural, segundo Pedro Lupion. Ele aponta que a bancada é “majoritariamente contrária ao PT”, o que direciona o olhar para candidaturas de oposição. A possibilidade de Ratinho Junior (PSD), governador do Paraná, também ser candidato é mencionada, mas a preferência se inclina para qualquer candidato que se oponha ao PT no segundo turno.
Arnaldo Jardim complementa que o nome de Tarcísio teria “a unanimidade” do agronegócio e dos parlamentares. Na ausência do governador paulista, Ratinho Junior seria um bom nome, mas Flávio Bolsonaro se consolida como a escolha do setor caso a polarização entre ele e Lula se mantenha. A FPA, que conta com 344 parlamentares, busca um representante que defenda seus interesses de forma efetiva.
Críticas a Fávaro e esperança em nomes como André de Paula
As críticas ao ministro Carlos Fávaro são recorrentes. Parlamentares da bancada ruralista chegaram a elogiar o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT), por ter um “diálogo muito melhor” com o setor em comparação a Fávaro. A avaliação é que Teixeira, mesmo sendo de um partido mais à esquerda, demonstrou maior proximidade com os ruralistas.
Em contrapartida, surge o nome de André de Paula, atual ministro da Pesca e Aquicultura, como um possível futuro ministro da Agricultura em um eventual “governo Lula 4”. Considerado um nome experiente e com maior capacidade de diálogo, André de Paula é visto com bons olhos pela bancada. “André de Paula tem muito mais diálogo do que Fávaro”, afirma Jardim, ecoando um sentimento positivo em relação ao pernambucano.
Aproximação tardia do governo e o cenário de 2026
No setor privado, a percepção é que o governo Lula buscou, tardiamente, uma aproximação com o agronegócio, especialmente com o segmento exportador. A chegada de Sidônio Palmeira à Secretaria de Comunicação da Presidência da República, em janeiro de 2025, é vista como um movimento estratégico. A participação de representantes do setor na comitiva presidencial à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro também foi destacada como um ponto positivo na comunicação do governo.
No entanto, para muitos no setor, essa reaproximação chega “tarde demais” para conquistar o apoio dos ruralistas em busca de um quarto mandato para Lula. O “candidato dos sonhos” ainda é Tarcísio de Freitas, mas a disposição do setor em apoiar “qualquer candidatura da oposição” contra o PT em 2026 é clara e demonstra a profunda insatisfação com o atual governo.

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