Ibovespa despenca mais de 2% na mínima intradia e dólar salta a R$ 5,30: o que movimenta os mercados hoje (20)?
O Ibovespa (IBOV) registrou uma forte queda, perdendo mais de 4 mil pontos nas primeiras horas de pregão. A principal causa para essa desvalorização são os novos desdobramentos do conflito no Irã e as crescentes preocupações com um eventual choque inflacionário global. Por volta das 12h40, o índice caía 1,92%, aos 176.803,33 pontos, e na mínima do dia, atingiu os 176.209,06 pontos, uma queda de 2,25%.
O cenário geopolítico se agrava com a guerra no Irã, que entra em sua quarta semana. Autoridades norte-americanas indicaram à Reuters que os Estados Unidos planejam enviar milhares de tropas adicionais ao Oriente Médio e consideram bloquear a ilha iraniana de Kharg. Essa ação visa pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, também criticou aliados da OTAN, chamando-os de “covardes” pela falta de apoio.
Paralelamente, os alertas de bancos centrais sobre um possível choque inflacionário têm mantido os mercados em “tensão máxima”. O Banco da Inglaterra (BoE) já ressaltou que o conflito no Oriente Médio pode impulsionar a inflação no curto prazo, com alguns membros do comitê considerando um aumento futuro nas taxas de juros. O Banco Central Europeu (BCE), por sua vez, elevou sua previsão de inflação para a zona do euro em 2026 para 2,6%, acima da meta de 2%, embora o impacto de longo prazo ainda seja incerto. Conforme informação divulgada pelas fontes, o mercado já zerou as apostas de corte de juros nos EUA pelo Federal Reserve (Fed) este ano, com traders vendo setembro de 2027 como o mês mais provável para uma flexibilização monetária.
Ações em queda e a única alta do dia
No pregão, as ações da Cemig (CMIG4) se destacaram como a única alta nas primeiras horas. A empresa anunciou resultados do quarto trimestre (4T25) positivos e a distribuição de Juros sobre Capital Próprio (JCP) de R$ 658 milhões, o que impulsionou seus papéis em até 3,53%. No momento, Yduqs (YDUQ3) e Rede D’Or (RDOR3) tentam se firmar em território positivo.
Em contrapartida, a Braskem (BRKM5) lidera as perdas, com queda superior a 9%. A desvalorização é uma reação à mudança no Regime Especial da Indústria Química (Reiq), que impacta os créditos de PIS/Cofins. As ações de peso como Petrobras (PETR4; PETR3) também recuam mais de 3%, acompanhando a volatilidade do preço do petróleo Brent no mercado internacional. Por volta das 12h30, PETR4 caía 3,12%, a R$ 45,32, sendo a ação mais negociada na B3.
Vale (VALE3) segue a cautela global e apresenta queda de 1,42%, a R$ 75,47, mesmo com o minério de ferro negociado na China apresentando alta. O contrato de maio do minério de ferro fechou a 815,50 yuans (US$ 118,17) a tonelada na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE).
Mercados internacionais em baixa e dólar em alta
Os mercados internacionais refletem o pessimismo. Wall Street opera em forte queda, com o Dow Jones caindo 0,58%, o S&P 500 recuando 0,88% e a Nasdaq em baixa de 1,24%. Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 registra queda de 1,45%.
Na Ásia, o índice de Xangai caiu 1,24% e o CSI300 recuou 0,35%. O Hang Seng de Hong Kong também teve desempenho negativo, com queda de 0,88%. O Banco da China manteve suas taxas de juros inalteradas pela décima decisão consecutiva.
Dólar dispara e atinge R$ 5,30 com aversão ao risco
Enquanto o Ibovespa acumula perdas, o dólar à vista (USDBRL) ganha força, impulsionado pela aversão global ao risco e pela precificação de juros elevados nos Estados Unidos por um período mais longo. Por volta das 12h40, a moeda americana operava a R$ 5,2876, com alta de 1,38% frente ao real, e atingiu a máxima intradia de R$ 5,3104 (+1,82%). O índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de moedas fortes, também subia 0,40%.

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