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Petrobras (PETR4) descarta novo aumento do diesel, mesmo com guerra e pressão do mercado: entenda a estratégia

Petrobras (PETR4) ignora pressão do mercado e descarta aumento do diesel a curto prazo

A Petrobras (PETR4) não planeja um novo aumento no preço do diesel no curtíssimo prazo, mesmo diante do prolongamento da guerra e seus reflexos na cotação do barril de petróleo. A decisão da estatal visa manter a estratégia de não repassar automaticamente as volatilidades e instabilidades geopolíticas para o consumidor brasileiro.

Apesar da pressão de agentes privados do setor de combustíveis por um reajuste que amenizaria a defasagem em relação à cotação externa, a companhia optou por segurar os preços. Essa postura busca viabilizar importações que complementam o suprimento nacional de diesel.

“Não tem nada no radar para os próximos dias”, afirmou uma das fontes com conhecimento das discussões internas. A Petrobras busca defender os interesses dos acionistas sem penalizar o consumidor, uma linha de ação que tem sido seguida desde o início do conflito entre os Estados Unidos e o Irã. Conforme informação divulgada pela Reuters, a empresa não considera um repasse automático de flutuações de mercado.

Estratégia da Petrobras (PETR4) em tempos de volatilidade

A Petrobras tem adotado uma política de não internalizar imediatamente altas ou baixas de preços em momentos de choque de oferta ou demanda. Essa abordagem permite que volatilidades sejam diluídas ao longo do tempo, evitando prejuízos para a companhia, acionistas e a sociedade.

Nesta segunda-feira, o preço do barril de petróleo Brent operou em baixa, reagindo a declarações do presidente dos EUA sobre um possível adiamento de ataques militares ao Irã. No entanto, a defasagem nos preços do diesel interno já havia superado 80% antes dessa queda, segundo importadores.

O último aumento no preço do diesel pela estatal ocorreu em 14 de março, após o governo anunciar medidas para mitigar os efeitos da crise, como isenção de PIS e Cofins e um programa de subvenção. Contudo, para os importadores, essas ações não foram suficientes para sanar a defasagem.

Pressão do mercado e situação excepcional de risco

Agentes do mercado, no entanto, apontam para a existência de excepcionalidades na situação atual, dado o forte consumo brasileiro e a retração da oferta importada de diesel, que responde por cerca de 25% do consumo no país. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) classificou o abastecimento nacional de combustíveis como uma “situação excepcional de risco”.

A ANP destacou a retração relevante da oferta importada, a pressão elevada sobre a demanda interna e a dificuldade de recomposição de estoques. Em resposta, a Petrobras afirma estar operando suas refinarias em capacidade máxima, com taxas de utilização em torno de 100%, e atendendo 70% do mercado interno de derivados.

Discussões sobre ICMS e taxa de exportação de petróleo

A ANP solicitou à Petrobras a ampliação da oferta de combustíveis, o que não foi bem recebido internamente. Fontes da empresa criticam a postura do mercado, que reclama em momentos de dificuldade e culpa a Petrobras, mas se beneficia quando há lucros.

Nesta semana, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) discutirá a possibilidade de redução do ICMS sobre combustíveis, medida que pode trazer alívio aos consumidores, mas enfrenta resistências em ano eleitoral. O pacote do governo também inclui a taxação da exportação de petróleo. Segundo uma fonte, a alta do petróleo, que saiu de US$ 70 para mais de US$ 100 o barril, mais que compensa financeiramente a taxação da exportação.

O conceito de média no cálculo de preços da Petrobras

Uma das fontes explicou que a Petrobras trabalha com o conceito de média para seus preços. O que importa é que os valores estejam na média anual, dentro dos parâmetros estabelecidos, e não necessariamente do dia, semana ou mês. Isso significa que choques pontuais podem ser diluídos ao longo do ano, sem gerar prejuízos.

O reajuste de R$ 0,38 por litro de diesel em março ocorreu após mais de duas semanas de guerra e preços elevados. Naquele momento, o petróleo Brent lutava para chegar a US$ 70 o barril e, nesta segunda-feira, operava um pouco abaixo de US$ 100, após atingir US$ 96 na mínima da sessão. A estatal segue com suas refinarias a todo vapor, com utilização em torno de 100% da capacidade.

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