Petróleo a US$ 100 não se sustenta, afirma analista do BTG; veja destaques do Giro do Mercado
A semana nos mercados financeiros começou com um otimismo cauteloso, impulsionado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que indicaram uma possível cessar-fogo na tensão com o Irã. Essa sinalização provocou reações significativas em commodities e moedas.
No Giro do Mercado desta segunda-feira, o analista Bruno Henriques, head de análise de renda variável do BTG Pactual, compartilhou sua visão sobre os movimentos que marcaram o dia. A fala de Trump sobre conversas “muito boas e produtivas” com o Irã e o adiamento de ataques energéticos foram pontos centrais.
Apesar da negativa iraniana sobre negociações, o mercado interpretou as declarações americanas como uma inclinação para o fim do conflito. Conforme informação divulgada pelo BTG Pactual, Henriques destacou que o petróleo acima de US$ 100 gera efeitos nocivos para a economia global, impactando a logística e a cadeia de suprimentos a médio e longo prazo.
Petróleo em queda livre após declarações de Trump
Após o comunicado do presidente americano, o preço do petróleo chegou a registrar uma queda de cerca de 15%. Essa descompressão é vista como um alívio para a economia mundial, que teme os efeitos inflacionários de um barril a preços exorbitantes. Henriques reforça que, com base em análises de oferta, demanda e estoques, o patamar de US$ 100 por barril é incompatível com a realidade do mercado.
Diversas casas de análise globais revisaram recentemente suas projeções para o preço do petróleo, estabelecendo uma média para o ano entre US$ 80 e US$ 85. Essa perspectiva indica que o pico recente pode ter sido um movimento especulativo e não sustentado pelos fundamentos do mercado.
Dólar recua e Ibovespa dispara com cenário de menor risco
Paralelamente à queda do petróleo, o dólar também apresentou recuo frente ao real, mantendo-se na casa dos R$ 5,30. Segundo Henriques, essa estabilidade se deve ao diferencial de juros e à manutenção do fluxo estrangeiro para o Brasil, mesmo em meio ao contexto de guerra no Oriente Médio.
No cenário interno, a bolsa brasileira, o Ibovespa, subiu mais de 3%, alcançando 182 mil pontos. O analista do BTG atribui esse desempenho ao movimento de descompressão de risco em nível global, que beneficia ativos de renda variável.
Selic e inflação: O que esperar do Banco Central
O Boletim Focus divulgou alterações na projeção para a taxa Selic em 2026, que passou de 12,25% para 12,50%. Henriques sugere que essa mudança pode refletir, em parte, o cenário de incertezas gerado pelo conflito. Se o término da tensão for mais rápido, as pressões inflacionárias ligadas a combustíveis seriam minimizadas, o que poderia auxiliar o Banco Central.
No entanto, o especialista aponta que, mesmo antes das últimas movimentações geopolíticas, outros fatores como o IPCA-15 mais alto já criavam uma dinâmica mais desafiadora para a política monetária. A recalibração do mercado após a reunião do Copom também contribui para as novas projeções.

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