Itaúsa (ITSA4) pode receber ‘presente’ de R$ 8,7 bilhões com fim de ineficiência tributária e IPO da Aegea.
A Itaúsa (ITSA4) tem se destacado no radar do mercado financeiro, impulsionada por uma série de notícias positivas e pelo bom desempenho de suas principais investidas, como o Itaú Unibanco (ITUB4). Nos últimos meses, as ações da holding já apresentaram uma valorização superior a 30%, refletindo um cenário promissor para a empresa.
Analistas do Bradesco BBI revisaram suas projeções e destacam três fatores cruciais que podem alavancar ainda mais o valor da Itaúsa. Com um preço-alvo de R$ 15,40, a recomendação de compra sugere um potencial de alta de 15% em relação ao fechamento recente, indicando uma visão otimista sobre o futuro da companhia.
“Entendemos que a Itaúsa continua oferecendo um perfil de retorno atraente, com dividend yield estimado de 9%, menor assimetria negativa e capacidade crescente de distribuição”, ressaltam os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes. Conforme informação divulgada pelo Bradesco BBI, a combinação desses elementos sugere um futuro promissor para os acionistas da ITSA4.
Fim da Ineficiência Tributária: Um Alívio de R$ 8,7 Bilhões
Um dos principais catalisadores para a Itaúsa é o fim da ineficiência tributária, previsto com a entrada em vigor da reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional. Atualmente, a incidência de PIS/Cofins sobre os juros sobre capital próprio (JCP) recebidos do Itaú, somada a uma dupla tributação devido à estrutura societária, gera perdas significativas.
Por exemplo, para cada R$ 1 mil em JCP declarado pelo Itaú, a Itaúsa recebe efetivamente R$ 323, após impostos, representando uma perda de R$ 49, ou 13,2% do valor bruto. Essa ineficiência ocorre pois a holding distribui os JCP com base no valor bruto declarado, enquanto arca com o ônus tributário em sua própria estrutura.
Com a reforma tributária, a expectativa é que impostos sobre dividendos e lucros de subsidiárias sejam eliminados, resolvendo esse gargalo. O Bradesco BBI estima que o fim dessa ineficiência possa gerar um valor incremental de R$ 8,7 bilhões para a Itaúsa, considerando um custo de capital próprio de 15,5% e crescimento de 6% até 2027.
O CEO da Itaúsa, Alfredo Setubal, corroborou essa visão, calculando uma economia de R$ 850 milhões em despesas tributárias. Segundo ele, “possivelmente, não precisaremos fazer nenhuma chamada de capital para amortizar a dívida, o próprio fluxo de caixa será suficiente. E, se os juros caírem, como esperamos, ainda deve sobrar recurso”.
Outras Empresas do Grupo e Potencial de Distribuição
Além do impacto da reforma tributária, a relevância de outras empresas do portfólio da Itaúsa, como Alpargatas (ALPA4) e Duratex (DTEX3), tende a crescer. Atualmente, os resultados dessas companhias são utilizados para cobrir despesas recorrentes da holding. Com a redução da alavancagem e despesas administrativas controladas, espera-se uma queda nas despesas financeiras.
A melhora operacional das investidas, somada ao fim da tributação ineficiente, deve impulsionar a geração de caixa. “A partir de 2027, esperamos expansão relevante do lucro e da geração de caixa, o que pode se traduzir em maior distribuição aos acionistas”, afirmam os analistas do Bradesco BBI.
O CEO Alfredo Setubal complementou que os recursos adicionais podem ser direcionados tanto para novos investimentos quanto para a distribuição de dividendos extras, dependendo do cenário econômico. Essa flexibilidade reforça o potencial de retorno para os investidores da Itaúsa.
IPO da Aegea no Radar e Valorização Expressiva
Outro ponto crucial para destravar valor na Itaúsa é a possibilidade de um IPO (Oferta Pública Inicial) da Aegea, empresa de saneamento do grupo. Recentemente, a holding atualizou o valor justo da Aegea para R$ 5,6 bilhões, um aumento significativo em relação aos R$ 2,4 bilhões anteriores, refletindo uma valorização superior a 100%.
Essa revisão considera um aumento de capital que precificou as ações a R$ 55,29. Com isso, a participação da Itaúsa na Aegea subiu para 13,27%. A Aegea já iniciou os preparativos para uma possível oferta de ações, buscando assessores financeiros e legais, o que pode ocorrer ainda no final deste ano.

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