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Juros Futuros em Queda Livre: Trégua no Irã Alivia Tensão e Impacta Mercado Financeiro Brasileiro

Juros futuros recuam com trégua no Irã, mas Selic mais alta no radar do mercado

A curva de juros futuros brasileira encerrou a segunda-feira (23) em queda firme. A principal razão para esse movimento foi a expectativa de uma trégua no conflito entre Estados Unidos e Irã. Essa diminuição da tensão geopolítica trouxe alívio aos mercados e impactou diretamente as taxas de juros.

O cenário externo também contribuiu para a queda. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries, também operaram em baixa. Essa correlação demonstra como eventos globais influenciam diretamente o mercado financeiro brasileiro, refletindo a interconexão da economia mundial.

No entanto, apesar do otimismo momentâneo, a projeção para a taxa Selic no final do ano foi elevada por economistas. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, indicou um aumento nas expectativas, sinalizando que o Banco Central pode ser mais cauteloso em seus próximos passos. Conforme informação divulgada pelo Banco Central, os economistas ouvidos pela instituição elevaram as projeções para a Selic de 12,25% para 12,50% este ano.

Queda expressiva nos juros futuros

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DIs) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou em 14,150%, em comparação com os 14,420% do ajuste anterior. Mais cedo, a taxa atingiu a mínima de 14,135%, uma queda de 28 pontos-base. Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, terminou o dia a 13,765%, ante 14,110% do fechamento anterior. Na mínima intradia, o DI caiu a 13,705%, uma queda de 40 pontos-base.

A taxa de DI para janeiro de 2036, de longo prazo, encerrou em 13,880%, ante 14,010% do fechamento da última sexta-feira (20). Após cair 32 pontos-base, atingiu a mínima intradia de 13,685%. Esses movimentos refletem a precificação do mercado diante das novas informações sobre o conflito no Oriente Médio.

Trégua temporária e declarações de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma “trégua” de cinco dias nos ataques à infraestrutura iraniana. Segundo ele, houve conversas “muito boas e produtivas” entre Washington e Teerã a respeito de uma resolução para as hostilidades. Trump instruiu o Departamento de Guerra a adiar ataques militares contra usinas elétricas e infraestrutura energética iranianas.

Em entrevistas, Trump afirmou que o “Irã quer muito fazer um acordo e isso pode acontecer dentro de cinco dias ou menos”. Ele também declarou que os EUA estão “muito empenhados em fechar um acordo com o Irã”. Essas declarações foram interpretadas pelo mercado como uma trégua na escalada das tensões, que já completava 24 dias.

Impacto no petróleo e expectativas de inflação

Em reação às ameaças anteriores de ataques, os preços do petróleo despencaram. Os contratos mais líquidos do petróleo Brent fecharam com recuo de 9,86%, a US$ 95,92 o barril. A possibilidade de uma trégua aliviou a pressão sobre os preços da commodity, que haviam subido com a escalada do conflito.

Apesar da trégua, as expectativas de inflação no Brasil mostram desancoragem. O Boletim Focus aponta para uma Selic terminal mais alta no final do ano, passando de 12,25% para 12,50%. O mercado, contudo, precifica um corte de apenas 25 pontos-base da Selic em abril, avaliando que o BC será mais cauteloso devido à inflação.

Selic mais alta e cautela do Banco Central

Os economistas ouvidos pelo Banco Central elevaram as projeções para a Selic terminal em 2024, de 12,25% para 12,50%. Essa foi a primeira vez que a projeção subiu após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir os juros para 14,75% ao ano. O mercado, no entanto, antecipa um corte de 0,50 ponto percentual na próxima reunião do Copom, em abril, levando a taxa básica para 14,25%.

A curva a termo, por sua vez, mostra uma precificação majoritária de corte de apenas 25 pontos-base da Selic em abril. Investidores avaliam que a desancoragem das expectativas de inflação, em função da guerra, fará o BC ser mais cauteloso. O próprio comunicado de política monetária do BC voltou a citar um cenário marcado por “expectativas desancoradas” e “projeções de inflação elevadas”.

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