Kim Jong Un reforça poderio nuclear da Coreia do Norte e eleva tensão com a Coreia do Sul, classificando-a como “Estado hostil”.
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, declarou que o arsenal nuclear do país é “irreversível” e que o país fortalecerá permanentemente suas forças nucleares. Em um discurso ao Parlamento, Kim definiu as prioridades políticas de seu governo, sinalizando uma mudança drástica na política externa de Pyongyang.
Ele enfatizou que a Coreia do Sul será tratada como seu “estado mais hostil”, marcando um endurecimento significativo na retórica de décadas que buscava a reunificação pacífica. As declarações foram divulgadas pela mídia estatal KCNA nesta terça-feira (24).
Essa nova postura de Pyongyang, segundo analistas, representa uma negação da legitimidade da Coreia do Sul como contraparte e um distanciamento de qualquer status remanescente de nação compatriota. A Casa Azul, sede da Presidência sul-coreana, reagiu afirmando que os comentários são “indesejáveis para a coexistência pacífica”.
Arsenal nuclear como garantia de segurança e desenvolvimento
Kim Jong Un reiterou que o status de Pyongyang como um estado com armas nucleares é inalterável. Ele destacou que a expansão de uma “dissuasão nuclear autodefensiva” é crucial para a segurança nacional, a estabilidade regional e o desenvolvimento econômico do país. O líder rejeitou a ideia de que o desarmamento nuclear possa ser trocado por benefícios econômicos ou garantias de segurança.
Para Kim, a Coreia do Norte já demonstrou que manter forças nucleares enquanto busca o desenvolvimento é a escolha estratégica correta. Ele argumentou que a “realidade mundial atual, em que a dignidade e os direitos dos Estados soberanos são impiedosamente violados pela força e violência unilaterais, ensina claramente qual é a verdadeira garantia da existência e da paz de um Estado”, conforme dito em seu discurso à Assembleia Popular Suprema.
Segundo o líder norte-coreano, as armas nucleares têm sido fundamentais para impedir guerras e permitir que o Estado concentre recursos em crescimento econômico, construção e melhoria dos padrões de vida. Analistas na Coreia do Sul interpretam esses comentários como uma crítica indireta às ações militares de potências estrangeiras, reforçando o argumento de Pyongyang de que armas nucleares são essenciais para impedir intervenções externas e garantir a sobrevivência do regime.
Acusações contra EUA e aliados e nova definição de relações com a Coreia do Sul
Kim Jong Un também acusou os Estados Unidos e seus aliados de desestabilizarem a região, posicionando recursos nucleares estratégicos próximos à península coreana. No entanto, ele afirmou que a Coreia do Norte não se vê mais como um país ameaçado, possuindo o poder de ameaçar outros, se necessário.
A Coreia do Sul foi explicitamente reconhecida como o “Estado mais hostil”, e Kim advertiu Seul de que qualquer tentativa de infringir a soberania norte-coreana será enfrentada “impiedosamente, sem hesitação ou restrição”. Essa declaração marca um ponto de virada na política de Pyongyang, abandonando décadas de busca pela reunificação pacífica.
A linguagem utilizada por Kim Jong Un, conforme apontado por Lim Eul-chul, da Universidade de Kyungnam, “efetivamente retira da Coreia do Sul qualquer status remanescente de nação compatriota”. Essa retórica vai além do isolamento diplomático passado, configurando uma “declaração negando a própria legitimidade da Coreia do Sul como contraparte”, explicou o analista.
Reação da Coreia do Sul e expectativas futuras
A Presidência da Coreia do Sul, através da Casa Azul, expressou que os comentários de Kim Jong Un são “indesejáveis para a coexistência pacífica”. A agência de notícias Yonhap informou que Seul reiterou a importância do diálogo e da cooperação para garantir a segurança mútua e a prosperidade na península coreana.
Analistas agora observam atentamente qualquer sinal de que essa mudança drástica na política de Pyongyang possa ser codificada em lei. Embora o relato da mídia estatal não tenha detalhado essa possibilidade, a intensidade da retórica de Kim Jong Un sugere uma redefinição fundamental das relações intercoreanas, com implicações significativas para a segurança regional.

O Pra Quem Investe é um portal dedicado a transformar informação financeira em conhecimento acessível. Aqui, você encontra notícias, análises, insights e conteúdos educativos criados para ajudar investidores — iniciantes ou experientes — a entender o mercado, tomar decisões mais seguras e construir um futuro financeiro sólido. Nosso objetivo é simplificar o mundo dos investimentos e mostrar, na prática, como uma boa gestão financeira pode mudar vidas.














