Produtor brasileiro de café raro, o eugenioides, busca valorizar sua produção a patamares inéditos no mercado de luxo, com potencial de lucro 50 vezes superior ao café arábica gourmet.
Um produtor de café da quarta geração de fazendeiros em Minas Gerais está chamando a atenção do mercado com uma variedade rara e ancestral: o café eugenioides. Luiz Paulo Dias Pereira Filho espera que sua colheita desta espécie única no Brasil seja vendida por cerca de R$ 1 milhão para cada 10 sacas padronizadas de 60 quilos.
Essa meta ambiciosa contrasta fortemente com o preço atual do café arábica, que representa a maioria das bebidas gourmet e cujas cotações caíram para quase US$ 400 por saca. A expectativa de Pereira Filho ressalta o crescente interesse por cafés especiais de nicho, mesmo em um cenário de mercado mais amplo com variações.
O café eugenioides é descrito pelo produtor como “extremamente doce” e com um nível de cafeína tão baixo que é “praticamente considerado descafeinado”, o que o diferencia significativamente dos grãos tradicionais. A Reuters apurou que o produtor já tem clientes fiéis em países como Taiwan e Arábia Saudita, que valorizam a exclusividade e as características únicas do grão. No ano passado, cada saca de eugenioides foi vendida por R$ 90 mil (aproximadamente US$ 17.148).
O fascínio pelo raro café eugenioides
O interesse pelo café eugenioides tem sido comparado ao surgimento da variedade geisha da espécie arábica no início dos anos 2000, segundo Kim Ionescu, diretor de desenvolvimento de estratégia da Specialty Coffee Association (SCA). A escassez e o sabor singular são os principais fatores que elevam o eugenioides ao status de produto de luxo, atraindo consumidores dispostos a pagar um valor premium por experiências gustativas exclusivas.
Desafios no cultivo e baixa produtividade
Apesar do alto valor agregado, o cultivo do café eugenioides apresenta desafios significativos. Pereira Filho explica que a planta é de difícil manejo, sensível a variações climáticas e outros fatores ambientais, resultando em uma baixa produtividade. Ele estima que cada um de seus cinco hectares plantados com a espécie renderá apenas duas sacas por hectare, o que é menos de um décimo do rendimento médio do café arábica.
“Ela precisa de muito cuidado, porque é uma planta que não passou por melhoramento genético”, ressalta o produtor. Pereira Filho menciona que conhece apenas algumas outras fazendas no mundo que se dedicam ao cultivo comercial do eugenioides, indicando a raridade da empreitada. A Reuters não pôde confirmar a escala global de produção da espécie.
Um nicho promissor no mercado de café especial
Com mais de duas décadas de experiência na produção de cafés especiais no Brasil, maior produtor mundial de arábica, Luiz Paulo Dias Pereira Filho aposta na exclusividade e nas características únicas do eugenioides. As vendas recordes e o interesse crescente de compradores internacionais indicam um nicho promissor para cafés de altíssimo valor, impulsionado pela busca por novidades e pela valorização de produtos com histórias e qualidades singulares.
Este café, com sua doçura natural e baixo teor de cafeína, representa uma nova fronteira no mundo dos cafés especiais, onde a raridade e a qualidade excepcional se traduzem em um valor de mercado extraordinário, como demonstra a busca do produtor brasileiro por quase US$ 20 mil por saca.

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