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A ‘Joia’ da Inpasa: DDGS Revoluciona Pecuária Brasileira e Mercado de Etanol Clama por Integração

Inovação em Nutrição Animal e Desafios do Etanol: A Visão da Inpasa

A Inpasa, líder na produção de etanol de milho na América Latina, tem no DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis) um ativo crucial para diversificar seu valor além do biocombustível. Este subproduto, cada vez mais valorizado na pecuária brasileira, abrange cadeias de suínos, aves, gado de leite e corte.

Apesar de sua ampla utilização nos Estados Unidos, o DDGS chegou ao Brasil há cerca de sete anos, ainda apresentando desafios técnicos para sua plena adoção nas dietas animais. O processo de aprendizado para otimizar seu uso é contínuo, conforme aponta Rafael Verruck, diretor de Trading de Mercado Interno, de Óleo e DDGS da Inpasa.

A estratégia da empresa foca no mercado interno, mas as exportações são vitais para equilibrar a demanda sazonal. A Inpasa realizou recentemente seu primeiro embarque de DDGS para a China, demonstrando sua capacidade de atuar globalmente e fortalecer o agronegócio brasileiro. Conforme informação divulgada pela Inpasa, mais de 95% das exportações brasileiras de DDGS são da própria empresa.

DDGS: Um Nutriente Completo para a Pecuária

A Inpasa projeta a produção de aproximadamente 3,3 milhões de toneladas de DDGS até 2026. É importante notar que nem todas as usinas produzem o mesmo perfil de farelo de milho, resultando em variações nutricionais significativas entre os produtos disponíveis no mercado. Existem cerca de 14 tipos de farelos derivados do processo de etanol no Brasil, com diferentes teores de fibra, proteína e óleo, impactando diretamente a formulação de rações animais.

A diferença fundamental reside entre DDG (grãos secos de destilaria) e DDGS. Enquanto a maioria das usinas brasileiras produz DDG, o DDGS incorpora os solúveis do processo, uma fração líquida rica em nutrientes que eleva a concentração de proteínas, minerais, leveduras e energia. Essa composição mais completa é o que diferencia o DDGS.

Para reforçar essa distinção, a Inpasa lançou a marca FortiPro, posicionando seu DDGS como um ingrediente de alta performance para nutrição animal. A empresa investe anualmente entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões em pesquisa e desenvolvimento, em parceria com universidades e centros de pesquisa, para expandir as aplicações do ingrediente.

A Revolução na Pecuária de Corte com DDGS

O avanço do DDGS e DDG está transformando a nutrição animal no Brasil, especialmente na pecuária de corte. O ingrediente, que combina proteína, fibra e energia, permite a substituição parcial de insumos tradicionais nas rações, como milho e farelo de soja. O DDGS surge como uma resposta à necessidade de tornar a pecuária mais eficiente, possibilitando a substituição simultânea de múltiplos ingredientes na dieta animal.

Com alto teor proteico, o DDGS viabiliza dietas mais econômicas, oferece maior densidade nutricional e acelera o processo de engorda. Atualmente, alguns confinamentos utilizam DDGS em até 100% da dieta, complementado com núcleos de suplementação. Na pecuária de corte, não há limitações técnicas rígidas para o uso do produto.

Um dos desafios reside na adaptação de pesquisas e formulações às características do milho brasileiro, que difere do milho norte-americano. O milho brasileiro, mais duro e típico de clima tropical, levou a Inpasa a realizar investimentos para otimizar seu processo industrial. Essa particularidade resulta em um DDGS com teor proteico superior, com o produto da Inpasa comercializado com um mínimo de 32% de proteína, enquanto o DDGS dos EUA geralmente apresenta entre 28% e 30%.

O Mercado de Etanol e a Busca por Integração

Rafael Verruck antecipa que 2026 pode ser um ano desafiador para o mercado de etanol, com margens mais apertadas. Fatores como o mercado de açúcar e dificuldades financeiras de algumas empresas também influenciam a percepção do setor. Contudo, o etanol de milho atua como um complemento ao etanol de cana, ampliando a oferta e garantindo o fornecimento contínuo ao longo do ano.

Verruck rejeita a ideia de uma competição estrutural entre diferentes matérias-primas, ressaltando a abertura de novos mercados como o setor marítimo e o SAF (combustível sustentável de aviação). Ele enfatiza a necessidade de o mercado trabalhar de forma integrada, independentemente da matéria-prima, para atender à crescente demanda. Além do milho e da cana, novas rotas produtivas como o etanol de trigo no Sul do Brasil também avançam.

O principal desafio é assegurar o fornecimento contínuo de biocombustível para suprir a nova demanda global. As particularidades de cada matéria-prima, como a sazonalidade da safra de cana, não devem ser usadas para segmentar o setor. A busca por sinergia e integração é o caminho para atender às necessidades energéticas futuras.

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