Azul (AZUL53) enfrenta forte queda na bolsa após adiar cronograma de oferta de ações e preocupar investidores com diluição
As ações da Azul (AZUL53) sofreram uma **queda expressiva de mais de 30%** na bolsa brasileira nesta sexta-feira (6). A desvalorização acentuada ocorreu após a companhia aérea anunciar mudanças em seu cronograma de oferta de ações, gerando apreensão entre os investidores sobre o impacto da operação e a potencial **diluição dos acionistas**.
Por volta das 15h (horário de Brasília), os papéis da AZUL53, negociados fora do Ibovespa, registravam uma queda de 31,27%, alcançando R$ 8,11. No decorrer do dia, a mínima intradia chegou a ser de 35,17%, com os papéis cotados a R$ 7,65. A volatilidade reflete a preocupação do mercado com os próximos passos da empresa.
As informações sobre o adiamento e a oferta foram divulgadas pela própria companhia aérea, que se encontra em processo de recuperação judicial. Essa situação delicada intensifica o escrutínio sobre as decisões estratégicas da Azul, especialmente aquelas que podem afetar a participação dos acionistas existentes. Conforme informações divulgadas pela companhia, as principais etapas da oferta de ações foram reprogramadas.
Adiamento e reestruturação da oferta de ações
A Azul informou que as principais etapas da oferta de ações, que estavam inicialmente previstas para 11 de fevereiro, foram **adiadas para o dia 18 de fevereiro**. Isso inclui o registro da oferta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a alocação das ações, a divulgação de fatos relevantes e o anúncio do início da oferta, além da reunião do conselho de administração para homologar o aumento de capital.
Adicionalmente, a liquidação da oferta foi postergada de 19 para 20 de fevereiro, e o início das negociações das novas ações foi movido de 20 para 23 de fevereiro. Essas alterações no cronograma podem ter contribuído para o nervosismo do mercado, que prefere previsibilidade em momentos de reestruturação.
A oferta pública de distribuição primária de ações ordinárias, que pode movimentar **até R$ 5 bilhões**, faz parte do plano de reestruturação da companhia nos Estados Unidos, conduzido sob o Chapter 11. O objetivo é captar novos recursos e capitalizar créditos ligados ao financiamento DIP (Debtor in Possession), transformando parte do endividamento em capital próprio.
Diluição de acionistas e grupamento de ações
A principal implicação da oferta para os acionistas atuais é a **diluição de sua participação**. Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos da Axia Investing, explica que a Azul está trocando dívida por ações e captando mais dinheiro, mas o sucesso em sair da recuperação judicial ainda é incerto. Cada nova emissão de papéis aumenta a diluição dos acionistas existentes.
Em paralelo, os acionistas da Azul serão convocados para uma assembleia geral extraordinária (AGE) no dia 12 de fevereiro, onde votarão o **grupamento de ações na proporção de 75 para 1**. Essa operação, já aprovada pelo conselho de administração, visa adequar o número de ações aos parâmetros operacionais do mercado secundário.
O grupamento reunirá 75 ações para formar uma única, sem alterar o valor do capital social da companhia, que permanecerá em R$ 16,77 bilhões. No entanto, o número total de ações ordinárias passará a ser de 9,253 trilhões. A proposta será submetida aos acionistas junto com outras decisões cruciais para a conclusão do plano de saída da recuperação judicial nos Estados Unidos.

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