Voltar

Acordo sobre terras raras entre EUA e China tem avanço importante, veja o que mudou

“Espera-se” que um acordo sobre terras raras entre os Estados Unidos e a China seja fechado até o Dia de Ação de Graças, disse o secretário do Treasury, Scott Bessent, em comentários que foram ao ar neste domingo (16).

Nos últimos meses, os Estados Unidos e a China deram um passo importante em um tema estratégico: o comércio de terras raras. Esse movimento tem implicações profundas para cadeias industriais globais, tecnologia de ponta e geopolítica — e também representa uma oportunidade significativa para investidores que acompanham os desdobramentos econômicos e industriais. Mas, como sempre, há riscos e incertezas. Neste post, vamos destrinchar o que está em jogo, o impacto potencial e o que investidores devem observar.

csm capa 88b0db84fc

1. O que são terras raras e por que são tão importantes?

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a fabricação de tecnologias modernas, como smartphones, turbinas eólicas, baterias, equipamentos médicos e sistemas de defesa. Apesar do nome, não são escassas, mas ocorrem em concentrações baixas, o que torna sua extração e separação desafiadoras. A China é o principal país produtor e detém mais de 60% da produção mundial, além de controlar boa parte das reservas conhecidas e do refino desses elementos, o que lhe confere grande influência estratégica no mercado global de tecnologia.

As terras raras não são exatamente “raras”, mas são elementos químicos estrategicamente valiosos por sua aplicação em produtos de alta tecnologia. Elas são fundamentais para:

  • Ímãs potentes usados em motores de carros elétricos e turbinas eólicas;

  • Componentes de eletrônicos, como smartphones e chips;

  • Indústria aeroespacial e de defesa;

  • Baterias e semicondutores.

terras raras

A China domina grande parte desta cadeia: estima-se que seja responsável por mais de 70% da produção mundial, além de concentrar a maior parte do refino desses minerais. (Agência Brasil)

Quando a China impôs restrições às exportações dessas matérias-primas — especialmente depois de retaliações tarifárias por parte dos EUA —, as cadeias globais de suprimento sofreram, afetando empresas de automóveis, tecnologia, energia limpa e defesa. (UOL Notícias)


2. O que está previsto no acordo recente?

Principais pontos do entendimento:

  1. Agilização das exportações
    Os EUA negociaram com a China para que as exportações das terras raras sejam aceleradas, reduzindo burocracia e restrições. (UOL Economia)

  2. Alívio tarifário recíproco
    Em troca, os EUA concordaram em retirar ou moderar algumas tarifas que vinham sendo usadas como retaliação. (Terra)

  3. Sistema de licenças
    A China ainda exige licenças para exportar certos ímãs e metais críticos, mas se comprometeu a dar prioridade a pedidos considerados estratégicos. (Agência Brasil)

  4. Limitação estratégica
    Algumas restrições permanecem, especialmente para ímãs de uso militar. Ou seja, a China pode controlar, via licenciamento, quais exportações destinam-se a aplicações sensíveis. (O Globo)

Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, esse acordo “acelera a circulação de ímãs” essenciais para várias indústrias. (UOL Notícias)


3. Por que isso pode mudar o jogo para a indústria de tecnologia e energia

A. Cadeias de produção mais estáveis

Com mais terras raras chinesas fluindo para fora, empresas de tecnologia, fabricantes de veículos elétricos e indústrias de defesa podem ter acesso mais previsível a componentes críticos. Isso reduz o risco de gargalos e escassez, que já eram uma grande preocupação global.

B. Redução de riscos geopolíticos

O acordo pode sinalizar um desarmamento parcial entre as duas potências econômicas, o que traz mais segurança para empresas que dependem desses minerais. Isso fortalece o ambiente para investimentos de longo prazo.

C. Potencial para novos negócios

Investidores atentos podem voltar os olhos para empresas de mineração, tecnologia e fundos ligados a matérias-primas estratégicas — especialmente aquelas envolvidas em terras raras ou na cadeia de reciclagem desses minerais.


4. Os riscos que ainda permanecem

Nem tudo são flores. Mesmo com o acordo, há vários pontos de atenção:

  • Compromissos incompletos: algumas fontes indicam que nem todas as licenças foram completamente liberadas para uso militar. (O Globo)

  • Controle rígido da China: a liberação de exportações ainda depende de autorização, o que significa que a China mantém certa alavancagem.

  • Volatilidade política: políticas de exportação podem ser alteradas caso haja mudanças na administração de qualquer dos dois países.

  • Impacto limitado conforme a China: segundo o governo chinês, o impacto das restrições anteriores seria “muito limitado”, alegando que os controles visam usos estratégicos, não comerciais. (Agência Brasil)

Além disso, existe a dúvida se todas as partes do acordo serão plenamente implementadas. A confiança de Washington é alta, mas especialistas já apontam para riscos de execução. (Reddit)


5. O que aconteceu até agora: sinais concretos

  • Em junho de 2025, as exportações chinesas para os EUA dispararam. Segundo dados de alfândega, houve alta de 660% nas remessas de terras raras para os EUA. (euronews)

  • A flexibilização das exportações já começa a refletir em alguns setores industriais, com maior previsibilidade de suprimento para ímãs e materiais estratégicos. (UOL Notícias)

  • Por outro lado, há ceticismo: alguns analistas afirmam que parte das concessões anunciadas pode ter sido exagerada e que a China ainda mantém controle rigoroso. (Reddit)


6. O que isso representa para investidores – e como aproveitar

Estratégias possíveis:

  • Aposte em empresas de tecnologia: empresas que dependem desses minerais podem se beneficiar com queda de custos de componentes.

  • Fundos commodities / matérias-primas estratégicas: fundos focados em mineração ou recursos críticos podem ganhar impulso se o mercado entender esse acordo como estrutural.

  • Negócios de defesa e energia limpa: terrenos raros são essenciais para ímãs, turbinas eólicas e tecnologia militar.

  • Diversificação geopolítica: alocar parte do portfólio para ativos sensíveis a commodities estratégicas pode ser uma forma de proteção contra choques futuros.


7. Conclusão: vale a pena acompanhar (e se posicionar)

O acordo entre os EUA e a China sobre terras raras é um tema relevante para qualquer investidor que tenha olhos para o médio e longo prazo. Ele diminui um risco importante — o da escassez de materiais críticos — e pode abrir caminho para novas dinâmicas na indústria global de tecnologia.

Mas nem tudo é garantido: os detalhes do acordo, a forma como as licenças serão emitidas e os riscos geopolíticos continuam sendo fatores que exigem atenção. Para quem investe pensando em horizonte de anos, esse desdobramento pode valer a pena — desde que se tenha uma estratégia clara, diversificação e visão fundamentada.


Disclaimer: Este artigo tem caráter informativo e não configura recomendação de investimento. Avalie seu perfil, seus objetivos e os riscos antes de tomar decisões.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

REDES SOCIAIS

...

Pra Quem Investe: Descomplicamos o mundo dos investimentos para você sair da inércia e tomar decisões com confiança. Conheça nosso curso Dominando Investimentos e aprenda sobre CDB, LCI/LCA, CRI/CRA, fundos, ações e muito mais!

© 2025. Pra Quem Investe. Todos os direitos reservados.

Rolar para cima