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Ano do Cavalo: Corrida de Frigoríficos e Produtores por Cotas e Ciclo do Boi em 2026 Revela Disputa Acirrada com a China

A cota chinesa e a corrida pelo boi: 2026 é o ano da disputa por espaço no mercado de carne bovina

O Ano Novo Chinês de 2026, o ano do Cavalo de Fogo, traz consigo um simbolismo de ação decisiva, e essa interpretação parece se alinhar perfeitamente com o atual cenário do mercado de carne bovina. Desde que as novas cotas impostas pela China à carne bovina brasileira começaram a valer na virada do ano, uma verdadeira corrida se iniciou entre frigoríficos para garantir seu espaço.

Essa movimentação ocorre em um momento crucial, com conversas em andamento entre o governo brasileiro e a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) para estabelecer mecanismos que organizem os embarques. No entanto, a urgência em assegurar as fatias da cota já está ditando o ritmo do mercado, conforme avalia Fernando Iglesias, analista de proteína animal da Safras & Mercado.

Os primeiros dias de 2026 serviram para que o mercado compreendesse o funcionamento das cotas. Inicialmente, a expectativa de uma redução imediata nas compras pela China levou frigoríficos a diminuírem os abates. Contudo, o que se viu foi uma intensa disputa entre importadores chineses e exportadores brasileiros para garantir as maiores porções da cota. Apenas em janeiro, o Brasil já utilizou quase 11% do volume anual disponível, demonstrando a força dessa demanda concentrada.

Ciclo pecuário em inversão e preços em alta

O movimento de corrida pelas cotas chinesas ocorre em um contexto de clara inversão no ciclo pecuário. A oferta de animais está mais restrita, com uma queda de 9% no abate de fêmeas em janeiro na comparação anual. Ao mesmo tempo, a demanda externa permanece aquecida, embora agora limitada pela nova cota. Essa combinação de fatores tem resultado em um cenário de preços firmes tanto para o boi gordo quanto para a reposição.

O indicador Cepea/Esalq do boi gordo acumula alta de 8,21% no ano, atingindo R$ 345,40 por arroba. Paralelamente, o indicador do bezerro Cepea/Esalq (MS) avança 3,72% no mesmo período. Essa valorização reflete a pressão da demanda sobre uma oferta mais controlada, intensificada pela corrida para atender à cota chinesa.

Riscos da falta de organização e diversificação de mercados

Fernando Iglesias aponta a falta de organização na distribuição da cota ao longo do ano como o principal risco. Caso o governo e a Abiec não consigam estruturar uma distribuição escalonada dos embarques, a cota pode se esgotar já em agosto ou setembro. Isso levaria a um último quadrimestre com exportações significativamente mais fracas, podendo provocar uma depressão nos preços.

Além do risco de esgotamento da cota, existe uma preocupação jurídica. Frigoríficos que se sentirem prejudicados por uma eventual redistribuição podem buscar judicializar a questão. A complexidade do tema envolve o livre mercado e a interferência nas exportações, e qualquer decisão do Brasil depende da anuência da China. Dúvidas sobre a flexibilização ou absorção de cotas não utilizadas por outros países, como a Argentina, ainda persistem.

Diante deste cenário, a **diversificação de mercados** é vista como uma agenda fundamental para o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 2026, visando reduzir a dependência exclusiva da China. A busca por novos destinos para a carne bovina brasileira é essencial para mitigar os riscos associados às políticas comerciais de um único país.

Recomendações para produtores e o futuro da cota

As projeções da Safras & Mercado indicam um teto de R$ 370/arroba para o boi gordo em 2026, patamar que exigiria um novo fator altista para ser superado. Iglesias recomenda que os produtores utilizem instrumentos de hedge na B3 para **travar margens**, ressaltando que o câmbio mais apreciado limita altas mais agressivas. O contrato de maio (BGIK26) na B3, por exemplo, já avança cerca de 1,19%, em torno de R$ 347.

O analista ressalta a importância de garantir o resultado do ano, pois, embora o cenário seja construtivo até março, a imprevisibilidade paira sobre o segundo semestre. Um possível efeito rebote nas exportações pode impactar o mercado de forma agressiva. O volume exportado em 2025 ficou consideravelmente acima do estabelecido nas novas cotas, com a China respondendo por 45% a 48% dos embarques totais, demonstrando a relevância do mercado chinês e a necessidade de uma gestão cuidadosa das cotas em 2026.

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