Uma missão oficial à Europa está sendo articulada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre. O objetivo é intensificar a pressão política para a ratificação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, com planos de viagem previstos para antes de março. A informação foi confirmada por Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, em entrevista coletiva.
Segundo Viana, Alcolumbre sinalizou que a aprovação do acordo será a prioridade máxima do Congresso após o recesso parlamentar. A estratégia delineada visa agilizar a ratificação interna no Brasil e nos demais países do Mercosul, para então direcionar os esforços de negociação diretamente com os representantes europeus. Uma das frentes de ação inclui uma visita de parlamentares sul-americanos ao Parlamento Europeu, com articulação política em alto escalão.
Paralelamente, a ApexBrasil está desenvolvendo uma campanha de comunicação voltada para combater resistências ao acordo e atualizar a percepção sobre o Brasil junto a eurodeputados e consumidores. A iniciativa busca desmistificar estereótipos, especialmente no que tange ao agronegócio, que, segundo dados da agência, representa cerca de 23% do comércio bilateral com a União Europeia, segundo maior destino das exportações brasileiras. Em 2025, as exportações para a UE atingiram US$ 49,8 bilhões, atrás apenas da China.
Viana ressaltou que parte da oposição ao acordo ainda se baseia em uma imagem desatualizada do Brasil, focando em questões ambientais e sociais que já foram transformadas. Ele destacou que a imagem do país mudou significativamente e precisa ser comunicada de forma eficaz no exterior. Um estudo divulgado pela Apex indica que o Brasil tem potencial para aumentar suas exportações em 543 produtos com a eliminação imediata de tarifas, em um mercado europeu que movimenta US$ 43,9 bilhões anualmente em importações da UE.
A articulação ocorre em um momento crucial, após o Parlamento Europeu ter aprovado, por uma margem estreita, um pedido de revisão jurídica adicional do acordo, que foi assinado após 26 anos de negociações. Embora não inviabilize o tratado, essa decisão representa um novo obstáculo político que pode estender sua tramitação no bloco europeu em até dois anos. A resolução atendeu a pressões por salvaguardas ambientais mais rigorosas e novos mecanismos de verificação, o que, segundo o governo brasileiro, poderia comprometer o texto negociado. Viana atribuiu o resultado à baixa mobilização dos defensores do acordo e à influência de lobbies agrícolas europeus.

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