O Banco Central (BC) determinou que o Banco de Brasília (BRB) reserve R$ 2,6 bilhões em suas contas para mitigar as perdas decorrentes da aquisição de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master. A instituição financeira, que teve sua liquidação decretada pelo próprio BC em novembro do ano passado, está no centro de uma investigação sobre a autenticidade das operações de crédito que foram negociadas.
Segundo informações veiculadas pela Folha de S. Paulo, o BRB, banco estatal controlado pelo governo do Distrito Federal, havia adquirido R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master. Posteriormente, as operações foram identificadas como desprovidas de lastro em transações reais, no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
A exigência do provisionamento foi formalizada através de um termo de comparecimento enviado ao BRB em 7 de janeiro. Pessoas com conhecimento do assunto, que preferiram manter o anonimato, confirmaram a informação à reportagem.
Até a data da liquidação do Banco Master, o BRB conseguiu recuperar aproximadamente R$ 10 bilhões do montante total adquirido. Essa recuperação se deu por meio da transferência de ativos da instituição liquidada, como forma de compensação pelas carteiras problemáticas. No entanto, R$ 2,6 bilhões permaneceram sem cobertura, o que levou o Banco Central a determinar a constituição da provisão.
Em meio às incertezas sobre sua liquidez após a transação com o Banco Master, o BRB emitiu um comunicado aos seus clientes na última quinta-feira (22), buscando reforçar a solidez e a estabilidade da instituição. O banco reafirmou seu compromisso com a responsabilidade, transparência e o desenvolvimento econômico e social da região.
Anteriormente, o BRB já havia divulgado uma nota descartando qualquer risco de intervenção e informando que avalia a venda de ativos recuperados do Banco Master para fortalecer suas finanças. A instituição destacou que, caso sejam necessários, eventuais aportes do acionista controlador não impactarão recursos destinados a políticas públicas. O banco ainda ressaltou que quaisquer números não oficiais divulgados são especulativos e sem base técnica.

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