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Banco Pleno: A Ascensão e Queda de Um Banco com Passagem Pelo Master e Foco em Consignado

Banco Pleno tem liquidação decretada pelo Banco Central após trajetória de reestruturações e incertezas

O Banco Pleno, instituição financeira que recentemente teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central do Brasil, possui uma história marcada por mudanças e tentativas de reposicionamento. Sua trajetória, que se iniciou com o Banco Indusval, passou por diversas fases antes de chegar ao seu desfecho atual.

Com foco inicial em crédito corporativo e agronegócio, o banco enfrentou dificuldades operacionais e resultados pressionados. Após uma série de rearranjos societários, em 2019, adotou o nome Banco Voiter, buscando uma identidade mais digital e enxuta, estratégia que, contudo, não obteve sucesso em estabilizar suas operações.

A história recente do Banco Pleno, conforme informações divulgadas, envolveu uma proposta de aquisição não concretizada em 2023 e, no início de 2024, sua incorporação ao conglomerado do Banco Master. A passagem pelo Master foi breve e permeada por incertezas regulatórias, culminando na transferência de controle para Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Master, em julho de 2025, dando origem ao Banco Pleno.

Condicionantes e a Dependência de Captação

A autorização do Banco Central para a nova estrutura do Banco Pleno veio com exigências importantes, incluindo a apresentação de um plano para lidar com crises de liquidez. Apesar disso, a instituição manteve uma forte dependência de captação via depósitos a prazo, com Certificados de Depósito Bancário (CDBs) representando a principal fonte de financiamento. Dados do Banco Central indicam que, em setembro, o passivo do Banco Pleno somava cerca de R$ 6,8 bilhões, sendo aproximadamente R$ 5,2 bilhões em CDBs e R$ 760 milhões em letras financeiras.

Restrições e Perda de Confiança do Mercado

Restrições impostas pelo Banco Central à emissão de novos títulos impactaram diretamente a capacidade do banco de rolar sua dívida, aumentando a pressão sobre seu caixa. Paralelamente, a percepção de risco elevou-se, levando os papéis do banco a serem negociados no mercado secundário com taxas significativamente superiores ao CDI, um claro sinal de vendas forçadas e da deterioração da confiança dos investidores.

Aposta no Consignado e Desafios Regulatórios

Ao assumir o controle, Augusto Ferreira Lima buscou reposicionar o Banco Pleno com um foco estratégico no crédito consignado, amparado pela operação do Credcesta, um cartão de benefício com atuação em diversos municípios e considerado o principal ativo do grupo. A estratégia visava crescimento de carteira e maior previsibilidade de receitas, mas era intrinsecamente ligada à continuidade da captação de recursos no mercado.

Nesse período, a figura de Lima ganhou notoriedade devido à sua prisão na operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes ligadas ao Banco Master, embora a prisão tenha sido posteriormente revogada. O Banco Pleno sempre sustentou não ser alvo de investigações e operar em conformidade com a legislação vigente.

Busca por Comprador e Desfecho Inevitável

Diante do cenário adverso, o banco iniciou uma busca por um comprador, com negociações que, segundo o jornal Folha de S.Paulo, envolviam a possibilidade de um negócio casado com o Credcesta e a necessidade de aportes bilionários para sua estabilização. Contudo, as conversas não avançaram, e nenhum novo investidor foi anunciado. A combinação de restrições regulatórias, dificuldades de captação, um passivo pressionado e a deterioração da confiança do mercado levaram o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial do Banco Pleno.

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