Um grupo de cinco grandes bancos anunciou a formalização de uma proposta para conceder um empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios, instituição pública que enfrenta uma grave crise financeira. A estatal, que tenta reequilibrar suas finanças, ainda aguarda o envio da documentação, que deve ocorrer até esta sexta-feira (12).
A proposta e os próximos passos
A operação envolverá os seguintes bancos: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) e Santander (SANB11). Agora, o Tesouro Nacional será o responsável por avalizar o empréstimo, um processo fundamental para a concretização do negócio.
Os Correios, que acumularam prejuízo de R$ 6,05 bilhões no período de janeiro a setembro de 2025, buscam os recursos para equilibrar suas contas e evitar uma situação ainda mais difícil. Desde 2022, a estatal acumula prejuízos que chegam a R$ 10 bilhões.
A negociação começou a ganhar força após a Caixa Econômica Federal entrar no grupo de bancos dispostos a participar da operação, o que foi antecipado pela Coluna do Estadão.
Rejeição inicial do Tesouro e ajustes nas condições
No início do mês, o Tesouro rejeitou uma proposta de R$ 20 bilhões, valor inicialmente pleiteado pelos Correios. A razão para a recusa foi a cobrança de juros de 136% do CDI — um percentual que ultrapassava o teto estabelecido pelo Comitê de Garantias do Tesouro, que limita os juros a 120% do CDI.
Com a nova proposta, a expectativa é de que o empréstimo ajude a empresa a quitar dívidas de R$ 1,8 bilhão, além de pagar fornecedores em atraso, financiar o Programa de Demissão Voluntária (PDV) para 15 mil funcionários e investir em novos projetos que busquem ampliar sua receita, especialmente no setor de encomendas.
A possibilidade de aporte do Tesouro e os desafios da reestruturação
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou recentemente que o governo está disposto a considerar um aporte futuro nos Correios, caso o acordo com os bancos não se concretize. No entanto, ele ressalvou que isso ficaria dentro dos limites do arcabouço fiscal.
Em coletiva recente, Haddad destacou que o governo está buscando soluções para manter os serviços essenciais da estatal sem recorrer à privatização. A ideia seria agregar novos serviços ao portfólio dos Correios, como produtos financeiros, previdência e seguros.
Reestruturação e metas para 2027
O objetivo é que os Correios voltem a ter lucro a partir de 2027. Para isso, a empresa precisará realizar uma reestruturação agressiva, que envolva cortes de R$ 6 a 8 bilhões em seu orçamento anual, com a combinação de redução de custos e aumento de receitas.
Esse número é considerado um desafio significativo por analistas e fontes próximas à empresa, que já apontam o Programa de Demissão Voluntária (PDV) como uma das principais estratégias para reduzir os custos com pessoal.
A previsão é de que o PDV gere uma economia de R$ 1,4 bilhão com a redução de 15 mil funcionários. Além disso, a contratação dos aprovados no concurso público de 2024, que estava prevista para 2026, foi adiada para 2027.
Conclusão: a missão de recuperação é complexa, mas possível
O futuro dos Correios passa por uma reestruturação profunda e pela necessidade de ajustes financeiros que envolvem tanto fontes de recursos externas quanto internas. A conclusão do empréstimo de R$ 12 bilhões, com o aval do Tesouro, é apenas o primeiro passo para que a empresa se recupere.
Ainda assim, os desafios são muitos. Se os Correios conseguirão reverter seus prejuízos, implementar os ajustes necessários e retomar o lucro em 2027, dependerá não apenas de medidas internas, mas também do apoio financeiro do governo e de um cenário econômico mais favorável para a recuperação.

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