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O Banco de Compensações Internacionais e o Futuro das Stablecoins
A Preocupação do BIS com as Stablecoins
O Banco de Compensações Internacionais (BIS), conhecido como o banco central dos bancos centrais, expressa preocupações significativas sobre o crescimento das stablecoins. Este mercado, que já alcança impressionantes US$ 240 bilhões, está prestes a se expandir ainda mais, especialmente com a regulamentação nos Estados Unidos.
O Relatório Anual do BIS
Em um recente relatório econômico, o BIS destacou que as criptomoedas lastreadas por ativos estáveis não atendem aos critérios para se tornarem pilares do sistema monetário global. A instituição enfatiza que os bancos centrais devem agir rapidamente para evitar que as stablecoins assumam um papel central no sistema financeiro.
O economista sul-coreano Hyun Song Shin comentou que, embora as stablecoins possam ter um papel secundário no futuro do sistema financeiro, elas não superam as exigências de unicidade, elasticidade e integridade. Apesar de funcionarem como uma entrada para o ecossistema das criptomoedas, seu futuro permanece incerto.
A Proposta do BIS
Para enfrentar esses desafios, o BIS sugere que os bancos centrais liderem as discussões sobre a tokenização de ativos. Essa abordagem visa aumentar a eficiência, abrir novos mercados e proteger o sistema financeiro. A proposta central é a criação de um registro unificado, que tokenizaria as reservas dos bancos centrais, o dinheiro dos bancos comerciais e os títulos do governo.
A tokenização, segundo Hyun Song Shin, integra o meio de pagamento e a função de liquidação da moeda do banco central em uma única plataforma programável, transformando os mercados de valores mobiliários e trazendo benefícios significativos para os bancos correspondentes.
O Contexto da Regulamentação nos EUA
A preocupação do BIS surge em um momento crítico, logo após o Senado dos Estados Unidos aprovar a nova lei GENIUS Act, que regulamenta as stablecoins. Este projeto exige que as criptomoedas sejam lastreadas por ativos líquidos, como o dólar ou títulos do governo de curto prazo. Além disso, os emissores devem divulgar mensalmente a composição de suas reservas.
Impacto da Nova Lei
Analistas acreditam que essa legislação aumentará a segurança jurídica relacionada ao uso das stablecoins. Com isso, bancos, fintechs e varejistas poderão criar suas próprias criptomoedas. Empresas como Amazon e Walmart estão considerando essa possibilidade, o que poderia resultar em economias significativas em taxas.
Reações do Mercado
A possibilidade de uma mudança drástica no sistema de pagamentos impactou imediatamente as ações de empresas como Visa e Mastercard, que viram suas ações caírem cerca de 5% após a aprovação do GENIUS Act. No entanto, a administração da Visa afirmou estar bem preparada para essa transição, investindo há anos na tokenização das transações.
O CEO da Visa, Ryan McInerney, comentou que a nova lei trará clareza para o setor, e a empresa está pronta para esse novo cenário. Ele destacou que, se as stablecoins se tornarem a escolha preferida, a Visa estará preparada para oferecer acesso e escala através de seus sistemas.
A Evolução das Stablecoins
As stablecoins, criptomoedas atreladas a ativos estáveis, têm atraído a atenção de investidores e reguladores. Elas são vistas como uma ponte entre o mundo das criptomoedas e o sistema financeiro tradicional. Contudo, a falta de regulamentação clara e as preocupações sobre a estabilidade e segurança dessas moedas levantam questões sobre seu futuro.
O Papel dos Bancos Centrais
Os bancos centrais desempenham um papel crucial na supervisão e regulamentação das stablecoins. Com a crescente adoção dessas criptomoedas, é essencial garantir uma estrutura sólida para proteger os consumidores e manter a integridade do sistema financeiro. A proteção dos pequenos investidores é uma das prioridades nesse contexto.
A Necessidade de Colaboração
Para que a tokenização de ativos seja bem-sucedida, é essencial a colaboração entre bancos centrais, reguladores e o setor privado. Criar um ambiente regulatório que suporte a inovação, enquanto protege os interesses dos consumidores, será fundamental para o desenvolvimento das stablecoins e sua integração no sistema financeiro. Além disso, a análise de riscos nos investimentos será crucial para garantir a segurança nesse novo cenário.

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