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Boa Safra (SOJA3): Bradesco BBI rebaixa ação para neutro e corta preço-alvo em 35%; entenda os motivos

Bradesco BBI reduz recomendação da Boa Safra (SOJA3) e alerta para desafios operacionais e financeiros

A Boa Safra, empresa do setor de sementes de soja, viu sua recomendação de ações rebaixada pelo Bradesco BBI. Anteriormente classificada como compra, o papel agora figura como neutro, com o preço-alvo para o fim de 2026 revisado de R$ 14,00 para R$ 9,00 por ação. A decisão reflete uma mudança na tese de investimento, impulsionada por uma queda significativa no retorno sobre o capital investido (ROIC) e perspectivas de um crescimento mais restrito.

A companhia, que reportará seus resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) nesta terça-feira, enfrenta um cenário desafiador. O ROIC da Boa Safra, que estava em 26,4% em 2023, tem previsão de cair para 7,8% em 2025. Essa retração indica um modelo de negócios mais intensivo em capital e uma desaceleração no ritmo de expansão da empresa.

Conforme informação divulgada pelo Bradesco BBI, a produção da Boa Safra atingiu cerca de 280 mil big bags em 2025, mais que o dobro do registrado em 2021. No entanto, a expectativa para 2026 é de produção estável. Embora o banco considere essa estratégia adequada diante da oferta excedente no mercado de sementes, ela também limita o potencial de ganho de participação de mercado.

Pressão nas Margens e Aumento da Alavancagem Financeira

Outro ponto de atenção destacado pelo Bradesco BBI é a pressão sobre os retornos operacionais da Boa Safra. Desde 2020, a empresa alocou aproximadamente R$ 1,2 bilhão em capital de giro, ampliando prazos para clientes e, consequentemente, reduzindo o giro de ativos. Simultaneamente, o EBITDA por big bag diminuiu cerca de 55% desde o pico de 2022.

Essa queda no EBITDA foi influenciada por maiores descartes, um ambiente de preços mais desafiador e o aumento do custo para atender os clientes. Paralelamente, a alavancagem financeira da companhia aumentou. A holding atingiu um múltiplo de cerca de 3,4 vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA dos últimos doze meses.

Competição Acirrada e Qualidade dos Recebíveis em Destaque

O relatório do Bradesco BBI também aponta para um ambiente competitivo mais acirrado no setor de sementes. A menor relevância dos grandes varejistas agrícolas e o excesso de oferta contribuem para a pressão nas margens da Boa Safra. O banco observa que o crescimento das provisões sugere uma deterioração na qualidade dos recebíveis da empresa.

Na avaliação do Bradesco BBI, diversos fatores têm pesado contra a tese de médio prazo da Boa Safra. Desafios estruturais, como o aumento da concorrência e mudanças no canal de varejo agrícola, somam-se a questões específicas da empresa, como perda de eficiência comercial e maior capital empregado por cliente sem o retorno esperado em preços e margens.

Visibilidade Limitada para Recuperação

Embora o Bradesco BBI reconheça que a consolidação do setor e uma eventual recuperação da rentabilidade no pós-ciclo ainda possam ocorrer, não há evidências claras de um ponto de inflexão no curto prazo. Com a produção estagnada, margens pressionadas, queda relevante do ROIC e baixa visibilidade de retomada do crescimento rentável, os gatilhos para uma reavaliação positiva das ações da Boa Safra seguem limitados.

A análise do Bradesco BBI sugere que a empresa precisa demonstrar melhorias consistentes em sua eficiência operacional e financeira para reconquistar a confiança dos investidores. A redução do preço-alvo e a mudança na recomendação refletem a cautela do mercado diante dos desafios apresentados.

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