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Brasil pode ganhar novo território? Povoado peruano ameaça pedir anexação ao país vizinho

Povoado peruano na fronteira pode se tornar brasileiro em busca de segurança e melhores condições de vida

A história brasileira de expansão territorial, que teve seu último capítulo com a anexação do Acre em 1903, pode ganhar um novo episódio. Desta vez, o interesse parte de uma comunidade no Peru, na região de Loreto, que ameaça pedir para ser incorporada ao Brasil.

Moradores da localidade de Bellavista Callarú, situada na tríplice fronteira entre Peru, Brasil e Colômbia, afirmam sofrer com o que descrevem como um profundo descaso por parte das autoridades peruanas. A situação levou a comunidade a emitir um ultimato: se as condições não melhorarem, eles buscarão se tornar parte do Brasil.

Essa possibilidade de anexação surge em meio a sérias preocupações com a segurança e a falta de serviços essenciais na região. A comunidade Tikuna, que habita amplas áreas da fronteira, relata um cenário de abandono pelo Estado peruano, facilitando o avanço do narcotráfico e de organizações criminosas, conforme apurado pelo Money Times.

Falta de segurança e serviços básicos motivam pedido de anexação

O povo Tikuna, que também reside em território brasileiro e é considerado o maior grupo indígena do país, segundo o Censo de 2022 do IBGE, alega que a região de Bellavista Callarú enfrenta um grave problema de segurança pública. A ausência de uma presença policial e judicial efetiva tem permitido o avanço de atividades ilícitas.

Relatos indicam casos de assassinatos de lideranças locais, extorsões e até mesmo recrutamento forçado pelo tráfico. Essa conjuntura de insegurança gera um clima de constante apreensão entre os moradores, que se sentem desprotegidos pelas autoridades peruanas.

Além dos desafios de segurança, a comunidade também lida com a ausência de serviços básicos essenciais. A área da saúde, em particular, é descrita como crítica. A unidade médica local opera com apenas dois técnicos, sem médicos ou obstetras disponíveis.

Essa precariedade na saúde obriga que gestantes em situação de risco sejam encaminhadas para Santa Rosa, e em muitos casos, para hospitais localizados em território brasileiro, demonstrando a dependência da região de serviços oferecidos pelo país vizinho.

Ultimato e reivindicações de Bellavista Callarú

Recentemente, a liderança local intensificou a pressão sobre o Estado peruano, estabelecendo um prazo de 30 dias para que as queixas da comunidade sejam atendidas. O prefeito Desiderio Flores Ayambo emitiu um documento afirmando que, “se não houver resposta concreta, analisaremos alternativas drásticas, incluindo nos tornarmos parte do Brasil”.

A reivindicação principal da comunidade, além de mais segurança e melhores condições de vida, é a criação do distrito de Bellavista Callarú. Segundo os moradores, o pedido de emancipação administrativa está parado há mais de dois anos no Ministério das Relações Exteriores do Peru.

A comunidade sustenta que cumpre todos os requisitos legais para a criação do distrito e que sua população é superior à de outros distritos recentemente criados na região. A liderança local enfatiza que a reivindicação não tem motivação política, mas sim visa a defesa nacional e a proteção dos direitos humanos dos seus habitantes.

Contexto histórico e a questão da tríplice fronteira

A última vez que o Brasil expandiu seu território foi em 1903, com a anexação do Acre, que pertencia à Bolívia, através do Tratado de Petrópolis. Agora, mais de um século depois, a possibilidade de uma nova incorporação territorial surge em uma região estratégica da América do Sul.

A localidade de Bellavista Callarú está inserida em uma área de grande importância geopolítica, a tríplice fronteira. A presença do povo Tikuna em ambos os lados da fronteira, Brasil e Peru, fortalece o argumento da comunidade sobre a possibilidade de anexação, dada a existência de laços culturais e sociais já estabelecidos.

A situação em Bellavista Callarú evidencia os desafios enfrentados por comunidades em áreas de fronteira, onde a presença do Estado e a garantia de direitos básicos muitas vezes se tornam pautas urgentes. A decisão final sobre o futuro da localidade dependerá da resposta das autoridades peruanas e, eventualmente, de negociações diplomáticas entre Brasil e Peru.

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