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Café em Risco? Especialistas Alertam para Queda de Preços Semelhante ao Cacau, Preocupando Consumidores e Produtores

O café está prestes a seguir o rastro do cacau em uma queda de preços vertiginosa, alertam analistas do setor, gerando apreensão entre consumidores e produtores de todo o mundo.

A possibilidade de o café repetir a curva descendente de preços observada no mercado de cacau, que atingiu picos históricos em 2024 e despencou em seguida, foi um dos temas centrais na convenção anual da National Coffee Association (NCA) na Flórida.

Especialistas renomados, como Carley Garner, estrategista sênior de commodities da DeCarley Trading, expressam forte convicção nesse cenário. “Eu ficaria chocado se isso não acontecesse. Acho que o café é o novo cacau”, afirmou Garner, sinalizando uma possível repetição de eventos econômicos.

A fonte desta análise, que inclui discussões na National Coffee Association e insights de analistas como Carley Garner e Digby Beatson-Hird, aponta para uma convergência de fatores que podem levar à desvalorização do café.

Entendendo a Crise do Cacau e Suas Lições para o Café

O mercado de cacau vivenciou uma escalada sem precedentes, com os preços em Nova York superando os US$12.000 por tonelada em dezembro de 2024, impulsionados por condições climáticas adversas que afetaram a oferta. Contudo, em pouco mais de um ano, o cacau sofreu uma queda superior a 70%.

Essa desvalorização ocorreu à medida que os consumidores diminuíram o consumo de chocolate de alta qualidade e os fabricantes reagiram, reduzindo o tamanho das embalagens ou optando por alternativas mais baratas ao cacau em suas formulações.

Fatores Climáticos e Tarifários Elevam o Preço do Café

De maneira similar ao cacau, o café arábica também sofreu com aumentos de preço significativos. O clima desfavorável em regiões tropicais prejudicou a produção, levando o grão a um recorde em fevereiro de 2025.

Além disso, as tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, distorceram o comércio de café, contribuindo para a manutenção de preços elevados. No entanto, a expectativa de uma recuperação robusta na produção do Brasil, o maior produtor mundial, já tem exercido pressão para baixo nos preços este ano.

Previsões de Queda e o Impacto na Demanda

Carley Garner projeta que os preços do café podem atingir a marca de US$2 por libra-peso até o final do ano, argumentando que os preços atuais já estão inibindo a demanda. Digby Beatson-Hird, analista de café da Avere Commodities, é ainda mais pessimista, prevendo uma queda para US$1,80 por libra-peso este ano, contrastando com os US$2,9475 por libra-peso registrados na quarta-feira.

Uma pesquisa da NCA revelou que 61% dos consumidores americanos entrevistados em janeiro já adotaram medidas para reduzir seus gastos com café, buscando alternativas mais econômicas ou consumindo mais em casa. Apesar disso, o número total de consumidores de café não diminuiu, segundo a NCA.

Mudanças no Mercado e o Ganho do Robusta

O setor cafeeiro já demonstra sinais de adaptação. David Behrends, da Sucafina SA, um dos maiores comerciantes globais de café, observa que os cafés arábicas suaves mais caros, como os da Colômbia e América Central, perderam participação de mercado.

Em contrapartida, os grãos robusta, geralmente mais baratos, têm ganhado espaço, refletindo a busca por opções de menor custo em um cenário de preços elevados. A demanda por café em 2025 estagnou, segundo Carlos Mera, analista do Rabobank, um contraste com o crescimento histórico de 2,3% ao ano antes da pandemia.

Otimismo Cauteloso para o Futuro da Demanda

Mera acredita que a recente queda nos preços do café eventualmente chegará aos consumidores, impulsionando a demanda novamente. Ele projeta um aumento de 2% no consumo para 2026, o que pode explicar o ceticismo de alguns analistas quanto a uma queda drástica nos preços do café, similar à do cacau.

No entanto, a expectativa de uma safra recorde no Brasil pode não trazer o alívio esperado para os preços. Cleber Castro, representante de vendas de fazendas brasileiras, explica que os agricultores estão bem capitalizados e tendem a vender gradualmente, retendo parte do volume para reabastecer seus estoques, o que pode moderar a pressão vendedora no mercado.

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