Primeira noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo em 2024 foi marcada por temas profundos e representatividade, celebrando lutas sociais, astrologia e espiritualidade com forte protagonismo feminino.
O Sambódromo do Anhembi pulsou com energia e diversidade na sexta-feira (13), quando o Grupo Especial de São Paulo deu início aos seus desfiles. A noite foi um palco vibrante para enredos que transcenderam a folia, abordando temas como lutas sociais, astrologia, espiritualidade e, com destaque especial, o protagonismo feminino e a ancestralidade.
Com arquibancadas repletas e tempo firme, as escolas apresentaram performances marcantes, cumprindo os tempos regulamentares e entregando ao público um espetáculo de arte e mensagem. A estreia da Mocidade Unida da Mooca no Grupo Especial foi um momento histórico, celebrado com euforia por seus integrantes.
Conforme divulgado, a noite foi um reflexo da riqueza cultural brasileira, com escolas explorando narrativas que ressoam com questões sociais e espirituais contemporâneas. A força feminina, em suas diversas manifestações, foi um fio condutor presente em muitos dos desfiles, ecoando a importância da representatividade e da valorização da mulher em todas as esferas.
Mocidade Unida da Mooca: Empoderamento Feminino e Raízes Africanas
A estreante Mocidade Unida da Mooca abriu os desfiles com o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, uma vibrante homenagem às mulheres africanas, guardiãs da sabedoria e do equilíbrio. A escola exaltou a força espiritual, intelectual e cultural das mulheres que sustentam comunidades.
O desfile trouxe uma representação inédita de Exu, o Orixá, interpretado por uma mulher, marcando o protagonismo feminino desde o início. A agremiação encantou o público com representações das Yabás, Orixás femininas, celebrando as origens afro-brasileiras. A escritora Conceição Evaristo desfilou pela escola e ressaltou a importância do tema, definindo o carnaval como uma “aula pública” em representação às mulheres negras.
Colorado do Brás: A Sabedoria Ancestral e a Ressignificação da “Bruxa”
Com o enredo “A Bruxa Está Solta! Senhoras do Saber Renascem na Colorado”, a Colorado do Brás celebrou o conhecimento ancestral e o protagonismo feminino. A escola buscou ressignificar a figura da “bruxa”, transformando-a em símbolo de sabedoria, resistência e conexão com a natureza.
O abre-alas denunciou a tortura e o silenciamento de mulheres, com alas seguintes imersas em misticismo, magia, cura e espiritualidade. Personagens icônicas como a Bruxa do 71, Cuca e Úrsula foram homenageadas em um carro alegórico, e a atriz Fabi Bang cruzou a avenida como Glinda, personagem do musical Wicked.
Dragões da Real e Acadêmicos do Tatuapé: Lutas Sociais e Povos Originários
A Dragões da Real apresentou “Guerreiras Icamiabas: Uma Lendária História de Força e Resistência”, o primeiro enredo de temática indígena da escola, inspirado nas guerreiras da Amazônia. O desfile apostou em carros de grande impacto visual, explorando a fauna e a flora amazônicas e disseminando discursos sobre coragem, liberdade e ancestralidade.
Já os Acadêmicos do Tatuapé, com o enredo “Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra!”, transformou o Anhembi em um campo de debate sobre a luta pela reforma agrária e a dignidade do trabalhador rural. O abre-alas trouxe o Deus Tupã, conectando mitologia e produção agrícola, com alas representando elementos essenciais da agricultura brasileira.
Rosas de Ouro: Uma Viagem Cósmica pela Astrologia e Espiritualidade
A atual campeã, Rosas de Ouro, levou à avenida o enredo “Escrito nas Estrelas”, uma jornada pelo cosmos que costurou astrologia, espiritualidade e a busca humana por seu lugar no universo. A escola manteve seu brilho característico, transformando o sambódromo em uma galáxia em tons de rosa, entre constelações e signos.
Apesar de uma penalidade de 0,5 ponto por atraso na entrega de pastas técnicas, a escola demonstrou energia impecável, com carros e alas em ordem, conforme avaliação da presidente Angelina Basílio. A noite também contou com os desfiles da Vai-Vai, homenageando a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, e a Barroca Zona Sul, com uma celebração à orixá Oxum.

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