Casas Bahia (BHIA3) planeja sair da “zona de sobrevivência” e focar em lucro e geração de caixa em 2026.
O diretor financeiro (CFO) da Casas Bahia, Elcio Ito, anunciou que a companhia encerrou o ano de 2025 fora do “modo de sobrevivência”, marcando o fim de um ciclo de reestruturação. A expectativa é que os resultados positivos na operação comecem a se refletir no balanço financeiro a partir de 2026.
Ito destacou que, após nove trimestres de “vento contra” no cenário macroeconômico, a empresa está pronta para colher os frutos de sua transformação. A companhia agora direciona seus esforços para a geração de caixa, rentabilidade e lucro líquido, com projeções otimistas para o futuro próximo.
A estratégia da Casas Bahia para alcançar esses objetivos se baseia em três pilares principais: a redução significativa das despesas financeiras, o impulsionamento da alavancagem comercial e o aumento da rentabilidade geral. A informação foi divulgada pelo CFO da empresa em entrevista ao portal Money Times.
Redução de Despesas Financeiras como Prioridade
Uma das principais alavancas para a Casas Bahia atingir a lucratividade é a diminuição das despesas financeiras. O CFO Elcio Ito informou que já houve uma redução expressiva nos custos de algumas linhas de crédito, com taxas caindo de 150% para 125% do CDI, além da transformação de dívidas de curto para longo prazo.
Essa otimização visa reduzir o chamado “spread de crédito”, que reflete o risco na concessão de empréstimos. Com a menor alavancagem do balanço, a companhia espera diminuir os custos associados ao financiamento. A venda de ativos da financeira FIC, por exemplo, gerou R$ 265 milhões que serão utilizados para abater dívidas.
O executivo explicou que a melhora nas despesas financeiras deve se manifestar gradualmente nas demonstrações financeiras a partir do primeiro trimestre de 2026, consolidando um ponto de partida mais seguro para a empresa.
Crescimento da Rentabilidade e Alavancagem Comercial
A Casas Bahia também mira o crescimento dos resultados monetários nominais, consolidando sua posição como maior player com estoque próprio (1P) no Brasil. O forte crescimento no comércio online no último trimestre contribuiu para a escala e a alavancagem comercial da empresa.
O terceiro pilar estratégico é o aumento da rentabilidade, especialmente através do crediário e serviços. O crediário, considerado a estratégia central da companhia, não apenas impulsiona as vendas, mas também gera receita. A penetração do crediário online saltou de 1-3% para 9%, e nas lojas físicas, supera 26%, com planos de expandir ainda mais.
Impacto da Queda da Selic e Estratégia Independente
Embora a queda da taxa Selic represente um alívio financeiro de aproximadamente R$ 170 milhões em juros para a Casas Bahia, o CFO Elcio Ito ressalta que a empresa não depende exclusivamente desse cenário favorável. A redução dos juros impacta positivamente a demanda, o volume de crediário concedido e a inadimplência.
Apesar do corte recente de 0,25 ponto percentual na Selic e sinalizações de novas quedas, a Casas Bahia afirma que sua capacidade de gerar lucro e fluxo de caixa positivo está intrinsecamente ligada à sua própria execução interna e eficiência operacional.
Fortaleza Física e Expansão no E-commerce
A estratégia de reorganização da Casas Bahia focou nas categorias onde a empresa é mais forte, como bens duráveis e eletrodomésticos, mantendo a loja física como um pilar fundamental do negócio. Contudo, a presença no e-commerce tem sido ampliada estrategicamente.
Parcerias recentes com gigantes como Amazon e Mercado Livre (MELI34) têm impulsionado o tráfego para o site próprio da Casas Bahia, incentivando a comparação de preços e ampliando as opções de pagamento para os consumidores. Esses canais digitais permitem um controle maior sobre preços e condições comerciais, fortalecendo a experiência do cliente.

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