Casas Bahia (BHIA3) revela prejuízo líquido de R$ 1,529 bilhão no quarto trimestre de 2025, um resultado impactado significativamente por uma provisão contábil. A cifra, porém, não representa saída de caixa e é vista como uma medida de prudência da companhia diante de incertezas macroeconômicas globais e locais.
Apesar do expressivo prejuízo líquido registrado pela Casas Bahia (BHIA3) no fechamento do ano de 2025, o balanço da varejista apresentou pontos positivos importantes, como a drástica redução do endividamento e a expansão de suas receitas e margens operacionais. A notícia principal que moldou o resultado foi uma provisão de Imposto de Renda diferido no valor de R$ 1,45 bilhão.
Essa provisão, explicou o diretor financeiro Elcio Ito, foi resultado de testes de estresse realizados pela empresa, que avaliaram potenciais riscos advindos do cenário geopolítico e de variáveis macroeconômicas, como inflação e taxas de juros. A decisão, segundo Ito, foi tomada por “prudência e conservadorismo”, visando preparar a companhia para um eventual quadro mais adverso.
É crucial destacar que essa provisão não teve impacto no caixa da empresa, sendo uma movimentação estritamente contábil. Sem esse item, o prejuízo da Casas Bahia seria de R$ 79 milhões, uma melhora considerável em relação à perda de R$ 452 milhões registrada no mesmo período do ano anterior. As informações foram divulgadas pela Casas Bahia (BHIA3).
Redução Expressiva da Dívida e Crescimento nas Vendas
Um dos grandes destaques do trimestre para a Casas Bahia (BHIA3) foi a redução de 75% na dívida líquida entre o terceiro e o quarto trimestres de 2025. A dívida líquida ajustada caiu para R$ 1,13 bilhão, ante R$ 4,48 bilhões no trimestre anterior. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado, despencou de 1,9 vez para 0,4 vez.
“Tivemos uma redução de 75% da dívida líquida entre o terceiro e o quarto trimestres, foi um passo absolutamente fundamental e decisivo para colocar a companhia em um novo balanço daqui para frente”, afirmou Ito. A receita líquida da Casas Bahia (BHIA3) apresentou um crescimento de 6,1%, alcançando R$ 8,471 bilhões. O GMV consolidado expandiu 8,7%, totalizando R$ 13,1 bilhões, impulsionado principalmente pelo e-commerce, que registrou um avanço de 21,7%.
Ebitda Ajustado e Margens em Alta
O resultado operacional, medido pelo Ebitda ajustado, somou R$ 826 milhões, um aumento de 29,1% em relação ao mesmo período de 2024. A margem Ebitda ajustado atingiu 9,8%, superior aos 8% registrados anteriormente. A margem bruta da Casas Bahia (BHIA3) também mostrou evolução, avançando 0,7 ponto percentual para 31,5%.
Apesar das despesas com vendas, gerais e administrativas terem permanecido estáveis em R$ 1,9 bilhão, o resultado financeiro apresentou uma melhora significativa, caindo de R$ 921 milhões negativos para R$ 557 milhões negativos no trimestre. Essa melhora está diretamente ligada à reestruturação do perfil de endividamento da companhia.
Perspectivas e Expansão do Crediário
Para 2026, Elcio Ito sinalizou eventos potencialmente positivos, como a isenção do Imposto de Renda para rendimentos até R$ 5.000 e o impacto da Copa do Mundo, especialmente no segundo trimestre. As eleições também são vistas como um fator que pode dinamizar a economia e o consumo.
A Casas Bahia (BHIA3) também tem como meta aumentar a participação do crediário em suas vendas. No quarto trimestre de 2025, a carteira de crediário atingiu R$ 6,6 bilhões, com um crescimento de 7% na comparação anual. A inadimplência acima de 90 dias ficou em 8,6%, com uma perda líquida de 4,6%. A companhia busca expandir o crédito de forma sustentável, equilibrando o aumento das vendas com a cautela necessária diante do cenário macroeconômico e da inadimplência.

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