Bolsa brasileira pode viver nova era de aberturas de capital com IPOs bilionários em 2024
Após um longo período de inatividade, o mercado brasileiro de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) dá sinais de forte retomada. O presidente da B3, Gilson Finkelsztain, expressou otimismo em relação a 2024, indicando que o cenário é promissor para um fluxo significativo de novas empresas debutando na bolsa.
A expectativa é que o movimento seja liderado por companhias já consolidadas, especialmente no setor de infraestrutura. Essas empresas, com potencial para movimentar valores bilionários, podem ser o pontapé inicial para uma nova onda de IPOs no país.
O interesse de investidores estrangeiros é apontado como um fator crucial para essa reabertura. A recente listagem do banco digital PicPay nos Estados Unidos, no final de janeiro, já sinaliza essa tendência. Conforme informação divulgada pelo presidente da B3, “parece ser o prenúncio de que vem potencialmente uma onda de aberturas de capital no Brasil”.
Mais de 50 empresas prontas para abrir capital
O otimismo de Gilson Finkelsztain se baseia em dados concretos. Atualmente, há um pipeline robusto com mais de 50 empresas brasileiras preparadas para realizar suas primeiras ofertas de ações no mercado. Essa fila de espera demonstra o potencial e o interesse das companhias em buscar capital através da bolsa de valores.
A última vez que o mercado brasileiro de IPOs esteve aquecido foi em meados de 2021. Naquele ano, a Vittia, produtora de fertilizantes, realizou sua oferta na B3 em setembro, enquanto o Nubank estreou na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) em dezembro. Desde então, o mercado passou por um período de recesso.
PicPay e Agibank lideram movimento internacional
A família Batista, controladora do frigorífico JBS, está por trás do PicPay, que escolheu os Estados Unidos para sua listagem. Outra fintech que mira o mercado americano é o Agibank. A empresa já deu entrada com o prospecto preliminar e solicitou listagem na Nyse, reforçando a tendência de empresas brasileiras buscarem o mercado internacional para seus IPOs.
Apesar do cenário positivo, Finkelsztain pondera que o ano eleitoral no Brasil e a taxa de juros básica ainda elevada, em 15% ao ano, podem representar desafios para o volume de ofertas em 2026. Contudo, a perspectiva para 2024 é de um mercado mais ativo e promissor.
B3 lança nova marca para negócios de dados
Em paralelo às notícias sobre IPOs, a B3 também anunciou o lançamento da marca Trillia. Esta nova identidade consolida os negócios de dados e soluções analíticas da companhia. A iniciativa visa integrar empresas adquiridas pela B3, buscando negócios contracíclicos e a diversificação de suas receitas.
A criação da Trillia reflete uma estratégia de reduzir a dependência da bolsa aos ciclos de mercado, um movimento similar ao observado em outras grandes empresas globais. A B3 reforça, assim, seu compromisso com a inovação e a expansão de seus serviços para além da negociação de ativos.

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