Citi reavalia exposição ao Real Brasileiro diante de tensões globais e cenário econômico interno
O banco global Citi decidiu alterar sua estratégia em relação ao Real Brasileiro (BRL). A posição antes considerada “overweight”, equivalente a uma aposta de compra, foi rebaixada para neutra. Essa mudança reflete a crescente preocupação com a instabilidade geopolítica global.
O principal gatilho para essa decisão foram os recentes ataques coordenados entre Estados Unidos e Israel ao Irã, que resultaram na morte de uma figura política de alta relevância e no fechamento de uma rota comercial vital para o petróleo mundial. O aumento do preço do petróleo e a volatilidade que se seguiu impactaram diretamente as moedas de mercados emergentes, com destaque para o real.
Conforme divulgado em análise recente, o Citi observou um aumento significativo nas posições compradas em real durante o primeiro trimestre, impulsionado por fatores como o “carry trade” vantajoso e dinâmicas de câmbio favoráveis. No entanto, esse movimento tornou a moeda brasileira mais suscetível a períodos de aversão ao risco global, cenário que se intensificou com os eventos no Oriente Médio. A informação é do Citi.
Impacto das tensões geopolíticas no mercado financeiro
A escalada das tensões no Oriente Médio, desencadeada pelo ataque ao Irã e o consequente fechamento do Estreito de Ormuz, gerou um efeito dominó nos mercados globais. O preço do petróleo disparou mais de 15% em poucos pregões, aumentando a incerteza e a aversão ao risco entre os investidores. Essa conjuntura global pesou “fortemente” sobre as divisas de economias emergentes, com o real sendo particularmente afetado.
Posição do Real Brasileiro e desempenho recente
Apesar da mudança para uma postura neutra, o Citi ainda mantém uma exposição comprada em real, mas de forma mais cautelosa. O banco ressalta que, nos últimos dois dias de negociação, o real desvalorizou cerca de 2,8% frente ao dólar. Contudo, no acumulado do ano, a moeda brasileira ainda apresenta um saldo positivo de 3,8% em relação ao dólar.
Essa vulnerabilidade se acentuou devido ao grande volume de posições “compradas” em real acumulado no primeiro trimestre. O “carry trade”, que se beneficiava de juros altos no Brasil, tornou a moeda mais exposta a reversões de fluxo em momentos de instabilidade global, segundo a análise do Citi.
Oportunidades em outras moedas emergentes
Apesar de reduzir a exposição ao real, o Citi não abandonou completamente as moedas emergentes. O banco mantém posições compradas em peso mexicano (MXN) e lira turca (TRY) contra moedas de menor risco como o dólar canadense (CAD), o franco suíço (CHF) e o Baht tailandês (THB). O objetivo é “capturar o carry das moedas de maior rendimento e posicionamento moderado”, aproveitando oportunidades em mercados com fundamentos distintos.
Cautela do Banco Central e inflação brasileira
Outro fator considerado pelo Citi na sua avaliação é a postura mais cautelosa que o Banco Central (BC) deve adotar em relação aos cortes da taxa básica de juros, a Selic. A recente divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) veio acima das expectativas do mercado, com uma alta de 0,84% em fevereiro, bem superior aos 0,56% previstos. Essa surpresa inflacionária reforça a expectativa de que o BC conduza o ciclo de cortes “com cautela”.
O banco espera um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcando o início de um ciclo de afrouxamento monetário. Atualmente, a taxa de juros brasileira está em 15% ao ano, e a próxima decisão do Copom está agendada para os dias 17 e 18 deste mês, conforme informações divulgadas pelo próprio banco.

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