Coamo adverte sobre lentidão nas vendas de soja e desafios logísticos diante de safra recorde prevista para 2026
A comercialização antecipada da soja para a safra 2025/26 pela Coamo Agroindustrial Cooperativa apresenta um ritmo mais lento do que em anos anteriores. Essa desaceleração ocorre em um cenário de preços pressionados pelas expectativas de uma safra recorde, o que diminui o interesse dos cooperados em vender agora e levanta preocupações sobre a logística de escoamento.
A avaliação é do presidente-executivo da Coamo, Airton Galinari. Segundo ele, a expectativa de recebimento de grãos, especialmente soja, é ainda maior para 2026, o que intensifica os desafios logísticos se a venda antecipada continuar nesse ritmo mais lento. A situação reflete um mercado onde os produtores seguram suas vendas na esperança de melhores preços futuros, mas que pode gerar gargalos logísticos se todos decidirem vender simultaneamente.
Galinari destacou que, embora a comercialização de soja esteja em patamar semelhante ao do ano anterior, o volume esperado para 2026 é significativamente maior. Essa diferença de volume é o que gera a pressão logística. A informação foi divulgada por ocasião da assembleia que aprovou as contas do grupo em 2025. Conforme a Reuters, a receita líquida da Coamo em 2025 foi de R$ 28,7 bilhões, com um resultado líquido de R$ 2 bilhões.
Comercialização Lenta Gera Alerta Logístico
Atualmente, a comercialização antecipada da soja pela Coamo atingiu cerca de 16% do total esperado. Esse percentual é considerado baixo quando comparado a anos anteriores, onde essa taxa podia ultrapassar 30%. “Tivemos anos em que isso passou de 30% nesta época”, comentou Galinari, ressaltando que a lentidão na venda, diante de um volume maior de safra, pode impactar negativamente a logística.
O presidente explicou que, se houver um atraso inicial e, posteriormente, todos os produtores decidirem vender suas safras simultaneamente, isso pode criar gargalos significativos para o escoamento da produção. A pressão logística em 2026 é vista como maior do que em 2025, justamente pelo volume recorde esperado.
Produtores Seguram Vendas na Expectativa de Preços Melhores
O atual cenário de preços mais baixos para a soja leva muitos produtores a segurar suas vendas. Eles esperam por um repique nos preços, apesar da expectativa de safra recorde. “O produtor está segurando as vendas. Quando precisa pagar contas, ele vai lá e fixa”, explicou Galinari. Ele também alertou que, nesse ritmo, alguns produtores podem estar perdendo a oportunidade de obter rendimentos com juros elevados, ao não aplicar o dinheiro que poderiam ter com vendas antecipadas.
A expectativa de alguns produtores é de que possam esperar mais tempo para fechar as vendas da soja, visando lucrar com uma eventual alta nos preços. “Ele fica com a expectativa de ganhar algo um pouco mais para frente”, disse o executivo. A necessidade de vendas, no entanto, pode aumentar entre abril e maio, período em que a maioria das contas precisa ser paga.
Coamo Prevê Safra Recorde de Soja e Grãos em 2026
Para 2026, a Coamo projeta receber 6,3 milhões de toneladas de soja, um aumento superior a 1 milhão de toneladas em comparação com 2025. Esse crescimento é impulsionado pela recuperação de áreas que tiveram problemas climáticos em Mato Grosso do Sul em 2025. O volume total de recebimentos em 2026, incluindo milho e trigo, pode ultrapassar 10 milhões de toneladas.
A expectativa para o milho é de receber cerca de 4,2 milhões de toneladas, principalmente na segunda safra, que está em fase de plantio e ainda depende das condições climáticas. Galinari estima que a segunda safra de milho fique entre 3,5 e 4 milhões de toneladas. Ele também mencionou que a área de milho segunda safra tem pouco espaço para crescer e pode até sofrer uma pequena redução anual, dependendo do comportamento da safra de verão.
Investimentos da Coamo Seguem Robustos em 2026
Os investimentos da Coamo em 2026 deverão superar R$ 1 bilhão, impulsionados pela recente aquisição de quatro instalações agrícolas do fundo Patria por R$ 136 milhões. Apesar disso, o volume de investimentos será inferior aos R$ 1,9 bilhão registrados em 2025, ano marcado pelo anúncio da construção de uma indústria de biodiesel em Paranaguá (PR) e aportes em uma planta de etanol de milho.
Os investimentos de 2025 também contemplaram a expansão da cooperativa para Mato Grosso do Sul e a modernização de infraestrutura. A cooperativa busca fortalecer sua estrutura para lidar com o aumento da produção e garantir o escoamento eficiente dos grãos, mesmo diante dos desafios logísticos.

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