Diretor do Fed indica que cortes de juros nos EUA continuarão apesar do conflito com o Irã
Apesar das crescentes tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã, o Federal Reserve (Fed) não deve alterar seu plano de reduzir as taxas de juros ao longo deste ano. A avaliação é do diretor Stephen Miran, que destacou que a inflação e outros riscos decorrentes do conflito não são suficientes para mudar a necessidade de flexibilização monetária.
Miran explicou que, embora os preços mais altos do petróleo possam gerar um impacto inflacionário, as evidências de que isso afetará o núcleo da inflação são limitadas. Ele ressaltou que as implicações diretas para a política monetária do Fed, com base nos eventos recentes, são difíceis de serem superestimadas no momento.
Apesar da cautela, a posição de Miran sugere que o banco central americano prioriza a estabilidade do mercado de trabalho e o controle da inflação subjacente. A expectativa é que, com o tempo, as pressões inflacionárias tendam a diminuir, abrindo caminho para a continuidade da política de cortes nos juros. Essa visão foi divulgada nesta quarta-feira (4).
Projeção de quatro cortes nos juros nos EUA para este ano
Na visão de Stephen Miran, o Federal Reserve deveria realizar quatro cortes de 0,25 ponto percentual na taxa de juros ainda em 2024. O objetivo desses cortes seria atingir um patamar considerado neutro para a economia. Essa projeção, no entanto, difere da opinião de alguns membros mais conservadores do Fed, que acreditam que a taxa básica de juros, atualmente na faixa de 3,5% a 3,75%, já atingiu esse nível neutro.
Impacto limitado do conflito na inflação central
O diretor do Fed enfatizou que o aumento dos preços do petróleo, uma consequência direta do conflito, “alimentarão a inflação”. Contudo, ele ponderou que as evidências de que essa alta do petróleo se reflete no “núcleo da inflação” são “bastante limitadas”. Isso sugere que o impacto inflacionário mais amplo e persistente na economia americana pode ser contido, permitindo que o Fed siga com seus planos.
Mercado de trabalho e riscos para a política monetária
Apesar da aparente estabilidade em relação ao núcleo da inflação, Miran também apontou que o mercado de trabalho ainda está em risco. Essa preocupação reforça a necessidade de o Fed manter uma postura que suporte o crescimento econômico e evite um aperto monetário excessivo. A combinação de riscos inflacionários moderados e a fragilidade potencial do mercado de trabalho sustentam a decisão de continuar com os cortes na taxa de juros.
Divergências internas no Federal Reserve
A opinião de Stephen Miran sobre a necessidade de quatro cortes na taxa de juros se alinha a uma visão mais expansionista dentro do Fed. Por outro lado, alguns de seus colegas, considerados mais “hawkish” (tendência a políticas monetárias mais restritivas), já acreditam que a taxa de juros atual é adequada ou até mesmo alta demais. Essa divergência interna é comum em períodos de incerteza econômica e geopolítica.

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