Conflito no Oriente Médio: Brasil se destaca pela menor vulnerabilidade e EUA podem lucrar, segundo UBS
A crescente tensão no Oriente Médio tem gerado preocupações globais sobre os impactos econômicos, especialmente em países emergentes. No entanto, um relatório recente do banco suíço UBS sugere que o Brasil se encontra em uma posição de **menor vulnerabilidade** diante desse cenário.
A análise aponta que o país sul-americano se beneficia de superávits de petróleo e taxas de juros reais próximas de máximas históricas, enquanto o risco fiscal em outras nações emergentes aumenta de forma mais acelerada. Essa conjuntura favorável reforça a confiança do UBS no mercado brasileiro.
O banco suíço mantém uma posição de compra para o Brasil em termos de câmbio, juros e ações, indicando uma perspectiva otimista para a economia nacional. Conforme as avaliações, o Brasil parece estar bem posicionado para navegar pelas incertezas globais, mesmo que o conflito se intensifique.
Ásia emergente mais exposta a choques de petróleo
Em contrapartida, o relatório do UBS destaca a **Ásia emergente** como a região mais diretamente exposta às consequências do conflito no Oriente Médio. Isso se deve ao fato de que aproximadamente 73% do petróleo transportado pelo Estreito de Ormuz, um ponto estratégico de passagem, tem como destino essa área.
Países como Índia, Coreia do Sul e Tailândia dependem significativamente do suprimento de petróleo que passa por essa rota. O UBS estima que entre 40% e 70% do suprimento dessas nações atravessa o Estreito de Ormuz, tornando-as particularmente suscetíveis a interrupções na oferta.
O banco já observa sinais de que essas interrupções podem afetar a produção industrial em partes da Ásia. Há relatos de que alguns fornecedores de gás na Índia começaram a restringir o fornecimento para a indústria, e em Bangladesh, quatro de cinco fábricas de fertilizantes foram fechadas devido à escassez de gás.
EUA se beneficiam com a intensificação do conflito
O UBS também avalia que os **Estados Unidos** tendem a se destacar economicamente caso a situação no Oriente Médio se intensifique. A economia norte-americana, sendo uma **exportadora líquida de petróleo**, é menos impactada negativamente pelo conflito.
Além disso, o banco ressalta que os EUA apresentam uma vantagem em cenários de desaceleração do crescimento global, especialmente se este ficar abaixo de 3,5%. Isso se deve à sua **menor alavancagem operacional** em comparação com outros mercados, o que lhes confere maior resiliência.
Historicamente, mercados como o Japão e outros emergentes importadores de petróleo são os que mais sofrem em choques de oferta de petróleo, conforme explica o relatório. Essa dinâmica reforça a perspectiva de que os EUA podem sair fortalecidos em um cenário de instabilidade prolongada.
Recomendação para mercados emergentes e o papel do Brasil
Em um cenário hipotético de curta duração do conflito, com uma queda nos preços de gás e petróleo, o UBS indica que isso reforçaria a recomendação de compra em ações de mercados emergentes. Independentemente da duração, o **Brasil** se mantém como um país com **posicionamento estratégico favorável**.
O relatório do UBS, portanto, oferece uma visão sobre como o conflito no Oriente Médio pode remodelar as dinâmicas econômicas globais, com o Brasil se mostrando um ponto de relativa estabilidade e os Estados Unidos como potenciais beneficiários, enquanto a Ásia emergente enfrenta maiores desafios.

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