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Copom dá sinal claro para início de cortes na Selic em março, mas economista alerta para ritmo moderado

Economista-chefe da Monte Bravo detalha expectativas para o ciclo de queda da taxa Selic, indicando cautela do Banco Central.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, como amplamente esperado pelo mercado, decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano nesta quarta-feira (28). Este patamar representa o maior nível dos juros básicos desde meados de 2006, e foi a quinta manutenção consecutiva da taxa. A decisão do colegiado foi unânime.

No entanto, o ponto de maior atenção na divulgação foi a sinalização do Copom sobre o início do afrouxamento monetário. O comunicado indicou que os cortes na taxa Selic podem começar já na próxima reunião do comitê, agendada para março.

Apesar da expectativa de início de cortes, o comunicado trouxe nuances importantes. Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, destacou que o Copom buscou gerenciar as expectativas do mercado quanto ao ritmo e à magnitude das reduções futuras. Conforme informação divulgada pela Monte Bravo, Costa avalia que o Banco Central agiu para evitar uma precificação excessiva de cortes mais agressivos já na próxima reunião.

Sinalização clara, mas com ressalvas para os cortes na Selic

Luciano Costa explicou que o Copom foi bastante transparente ao indicar o início dos cortes em março, mas com algumas ressalvas importantes. A principal delas, segundo o economista, está relacionada ao ritmo dos cortes e à adequação do nível de juros ao cumprimento da meta de inflação em um horizonte relevante.

“O Copom foi bem transparente, inclusive citando que vai dar início aos cortes na próxima reunião, mas com algumas ressalvas. A principal delas é sobre o ritmo e a adequação do nível de juros ao cumprimento da meta em um horizonte relevante, buscando diminuir a intensidade do movimento do mercado em precificar, amanhã (29), um corte muito alto tanto em relação a março quanto ao ritmo”, disse Costa.

Para o economista, o Banco Central tentou manter um certo controle nessa reação inicial do mercado. A retomada do “forward guidance”, que são as sinalizações futuras do BC sobre a política monetária, confere uma “sinalização bem clara” para as próximas decisões, segundo Costa.

Expectativa de corte de 0,50 ponto percentual em março

A Monte Bravo projeta que o Copom iniciará o ciclo de afrouxamento monetário com um corte de 0,50 ponto percentual nos juros, o que levaria a taxa Selic para 14,50% em março. Costa considera que este ritmo é o mais adequado.

“O BC está partindo de um nível de juros muito alto e, portanto, ele tem a opção de fazer um ciclo de cortes no ritmo de 50 pontos-base e esse parece ser o mais adequado”, afirmou o economista-chefe. Ele ressaltou, contudo, que o Copom deseja evitar que o mercado precifique um ritmo de reduções excessivamente acelerado.

O economista-chefe da Monte Bravo também destacou que, com a manutenção das atuais condições econômicas até a próxima reunião, o nível de juros real se mantém elevado, o que, na visão dele, já não justifica manter essa política restritiva, desde que respeitando o objetivo de convergência da inflação à meta.

Projeção para o fim de 2024 alinhada ao mercado

A Monte Bravo mantém sua projeção de que a taxa Selic encerrará o ano de 2024 em 12,25% ao ano. Este valor está em linha com as projeções divulgadas no último Boletim Focus, que compila as expectativas de diversos agentes do mercado financeiro.

A expectativa de um ciclo de cortes, embora sinalizado, deve ser acompanhada de perto pelo mercado, que buscará entender a velocidade e a profundidade das futuras reduções na taxa Selic, sempre sob a ótica do cumprimento das metas de inflação estabelecidas pelo Banco Central.

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