Copom se reúne e mercado de olho na Selic: pausa ou corte em janeiro? Entenda os sinais
O Comitê de Política Monetária (Copom) inicia o ano com sua primeira reunião para definir os rumos da taxa Selic. A expectativa majoritária do mercado financeiro aponta para a manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano. No entanto, o debate gira em torno de possíveis sinais de afrouxamento na comunicação do Banco Central, que podem indicar os próximos passos da política monetária.
A Selic encontra-se no patamar mais alto dos últimos 20 anos desde junho de 2023, após uma série de seis altas promovidas pela autoridade monetária. A decisão do Copom é influenciada pelo monitoramento da trajetória inflacionária e pelas tensões geopolíticas globais, que podem impactar a economia brasileira.
Conforme informações divulgadas pelo Santander, o cenário macroeconômico desde a última reunião em dezembro apresentou poucas alterações significativas. A inflação geral seguiu a trajetória de queda esperada, e a atividade econômica mantém um comportamento heterogêneo, compatível com uma política monetária restritiva. Essas condições levam o banco a projetar não apenas a manutenção da Selic, mas também a ausência de mudanças no comunicado do Copom, que deve reafirmar que a política monetária está “significativamente contracionista por um período prolongado”. A informação foi obtida a partir de análise do conteúdo divulgado pelas fontes.
Inflação e expectativas: os desafios para o Copom
O Santander destaca que, embora o Copom deva reconhecer a desaceleração da inflação geral, a atenção recai sobre os preços subjacentes, especialmente os de serviços, que permanecem acima do desejado para atingir a meta. As expectativas de inflação, apesar de uma leve melhora, ainda se encontram acima do centro da meta. A projeção para o horizonte de referência continua indicando convergência apenas sob uma postura restritiva. Por isso, o banco projeta um corte de apenas 0,25 ponto percentual, previsto para março.
Alberto Ramos, economista-chefe do Goldman Sachs para a América Latina, sugere que o “forward guidance” (orientação futura) do Copom pode ser ajustado. Ele aponta que a referência de que o comitê “não hesitará, como de costume, em retomar o ciclo de alta se necessário” pode ser retirada. Em seu lugar, uma linguagem indicando que a postura monetária já é restritiva há um período considerável e está operando como esperado, com os mecanismos de transmissão funcionando, seria mais apropriada. Essa mudança, segundo Ramos, daria flexibilidade ao Copom para avaliar um corte em março, sem compromissos definitivos.
Otimismo cauteloso: BTG e BofA veem espaço para corte
Em contrapartida, analistas do BTG Pactual e do Bank of America (BofA) são mais otimistas e veem espaço para o início do afrouxamento monetário já em janeiro. O BTG Pactual, por exemplo, projeta um corte de 0,25 ponto percentual. Mansueto Almeida, economista-chefe do banco, argumenta que, apesar de alguns indicadores como a inflação de serviços e o mercado de trabalho pedirem cautela, a manutenção da taxa em um nível excessivamente restritivo por mais tempo pode gerar custos desnecessários para a atividade econômica, sem ganhos proporcionais em termos inflacionários.
Almeida considera que um corte inicial e gradual em janeiro deve ser visto como uma “calibração”, preservando a postura contracionista, mas reduzindo o risco de um aperto excessivamente prolongado. O banco acredita que essa medida preserva uma postura monetária contracionista, mas diminui o risco de um aperto prolongado.
Já o Bank of America (BofA) projeta um corte mais expressivo, de 0,50 ponto percentual, o que reduziria a Selic para 14,50%. A equipe do BofA, composta por David Beker, Natacha Perez e Gustavo Mendes, argumenta que já existe espaço para uma recalibração cautelosa da política monetária. Eles ressaltam que os juros brasileiros continuam entre os mais restritivos das últimas duas décadas e que as expectativas de inflação se aproximam da meta.
Novos horizontes e projeções para a inflação
O BofA também aponta um fator técnico favorável à revisão das projeções de inflação: o avanço do horizonte da política monetária do segundo para o terceiro trimestre de 2027. Em dezembro, o Banco Central estimava a inflação em 3,2% para o 2º trimestre de 2027. Com o novo horizonte, o BofA projeta 3,1%, refletindo um câmbio mais firme, atividade econômica mais fraca e uma melhora gradual nas expectativas inflacionárias.
Apesar dos desafios persistentes, como inflação acima da meta, expectativas pouco ancoradas e estímulos fiscais, a resiliência da atividade econômica e do mercado de trabalho são fatores considerados. A aproximação das previsões condicionais de inflação ao final do horizonte relevante à meta de 3% e a perda de dinamismo da atividade real abrem espaço para que o Copom discuta o início da normalização da taxa de juros já em março, desde que não haja surpresas negativas nos dados econômicos.

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