Crise energética em Cuba ameaça a sobrevivência de mais de 9 mil pequenos negócios privados.
A crise energética em Cuba, intensificada pelo bloqueio de envios de combustível pelos Estados Unidos, coloca em risco a existência de mais de 9 mil micro, pequenas e médias empresas (PMEs) privadas no país. Um estudo recente da consultoria Auge aponta que a dependência quase total dessas empresas do combustível para operar as torna extremamente vulneráveis à prolongada escassez e aos frequentes apagões.
A pesquisa detalha que 96,4% das PMEs cubanas são totalmente dependentes de combustível. Caso a crise se agrave, o impacto sobre esses negócios varia de severo a catastrófico, afetando diretamente milhares de empreendedores e suas famílias. A situação é agravada por apagões que podem durar até 20 horas e pela alta do combustível no mercado paralelo, chegando a US$ 6 por litro.
Esses números revelam o drama diário enfrentado por empreendedores que apostaram em construir seus próprios negócios. A consultoria Auge destaca que essas PMEs representam o tecido produtivo mais dinâmico de Cuba desde a abertura econômica de 2010, e sua paralisação pode ter sérias consequências para a economia local. Conforme estudo da consultoria Auge.
Impactos Críticos e Altos Afetam a Maioria das Empresas
O estudo identificou que 7.491 empresas, correspondendo a 81,1% do total, atuam em setores onde o combustível é parte essencial do processo produtivo. Para estas, a falta de energia e combustível impede atividades básicas como o funcionamento de maquinário, cozimento, refrigeração de insumos e produtos, transporte e irrigação. Exemplos como oficinas têxteis paralisadas e restaurantes com perdas totais de estoque por falta de refrigeração ilustram a gravidade da situação.
Setor Comercial e Escritórios Sofrem com Apagões e Falta de Eletricidade
Outras 1.413 empresas (15,3%) enfrentam um impacto alto, com risco de fechamento se a crise se estender. Nestes casos, as dificuldades estão ligadas à necessidade de eletricidade para iluminação, afetando especialmente o comércio e escritórios. Embora ainda seja possível operar durante o dia, a venda de produtos não perecíveis é a única alternativa viável.
Negócios com Risco Moderado Buscam Adaptação
Os 332 pequenos negócios classificados com risco moderado (3,6%) podem resistir por mais tempo, mas necessitam de adaptações. Serviços como consultorias, por exemplo, conseguem operar enquanto a bateria de seus equipamentos durar, demonstrando a busca por soluções criativas em meio à adversidade.
Investimentos em Mitigação: Uma Medida de Sobrevivência
Em dezembro de 2025, a AUGE já havia identificado a crise energética como uma vulnerabilidade operacional real. Na época, 48% das empresas já haviam investido em soluções como painéis solares e geradores. O que antes era uma medida preventiva, hoje se tornou uma condição essencial para a sobrevivência. No entanto, 52% das empresas não puderam ou não priorizaram esses investimentos, enfrentando agora uma paralisação iminente.
Havana Concentra Risco para Quase 4.000 Empresas
A capital Havana concentra 43% do tecido empresarial privado do país. Portanto, os desdobramentos da crise energética na capital, incluindo apagões e a escassez de combustível, determinarão o destino de quase 4.000 empresas. O estudo, que utiliza dados oficiais do Anuário Estatístico de Cuba 2024 (ONEI), ressalta que por trás de cada número há um empreendedor e um projeto de vida, representando o esforço de milhares de cubanos que apostaram em construir algo próprio.

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