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Dividendos da Allos (ALOS3): Ações de Shoppings Desafiam FIIs na Busca por Renda Recorrente e Valorização

Allos (ALOS3) aposta em dividendos altos para atrair investidores e competir com Fundos Imobiliários (FIIs) no mercado de renda recorrente. A empresa busca combinar previsibilidade de proventos com potencial de valorização, um diferencial em relação aos FIIs.

A Allos, uma das principais empresas do setor de shoppings centers, anunciou a intenção de distribuir até R$ 1,8 bilhão em dividendos neste ano. Essa estratégia reacende o debate sobre a disputa por investidores entre ações de empresas de shopping e Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) focados no mesmo segmento. A companhia argumenta que oferece uma combinação única de renda previsível e potencial de ganho de capital.

A diretora financeira (CFO) da Allos, Daniella Guanabara, destacou que os acionistas da ALOS3 podem contar com a certeza dos dividendos já anunciados e, ainda, com a possibilidade de valorização das ações. Ela ressaltou que a empresa pretende manter uma remuneração elevada e recorrente nos próximos anos, apesar da volatilidade inerente ao mercado brasileiro.

Conforme informação divulgada pela companhia, a Allos pagará mensalmente entre R$ 0,28 e R$ 0,30 por papel até dezembro, com o objetivo de sustentar essa política de proventos. Essa abordagem visa consolidar a empresa como uma pagadora relevante de dividendos no longo prazo, atraindo um fluxo constante de investidores.

Allos vs. FIIs: Liquidez e Potencial de Valorização em Destaque

Um dos principais argumentos da Allos para se destacar na competição com os FIIs é a sua elevada liquidez no mercado secundário. A empresa possui um volume médio diário negociado (ADTV) acima de R$ 150 milhões, o que facilita a entrada e saída de investidores, tanto pessoas físicas quanto institucionais. Em comparação, o FII Maxi Renda (MXRF11), um dos maiores em número de cotistas, tem liquidez diária próxima de R$ 18 milhões.

Guanabara enfatiza que o portfólio da Allos é composto por ativos dominantes e que a liquidez superior é um diferencial competitivo importante. Ela também mencionou que o setor de shoppings tem demonstrado resiliência, com a Allos publicando bons resultados, o que se reflete na valorização de suas ações. Desde o início de janeiro, ALOS3 acumula alta de cerca de 11%, e em 12 meses, o avanço se aproxima de 65%.

Parcerias Estratégicas e Reciclagem de Portfólio

Apesar da concorrência, a Allos vê os FIIs como parceiros estratégicos, não adversários. A companhia frequentemente vende ativos para fundos imobiliários como parte de sua estratégia de reciclagem de portfólio. Shoppings menores, que não se encaixam mais na escala da Allos, são alienados para FIIs, mantendo-se como bons geradores de receita para esses fundos.

Exemplos dessa estratégia incluem a venda de participações no Shopping Estação Curitiba e no Plaza Sul Shopping para o XP Malls (XPML11) em 2023, por quase R$ 200 milhões. No mesmo ano, frações do Shopping Jardim Sul e do Bauru Shopping foram vendidas ao Hedge Brasil Shoppings (HGBS11) por cerca de R$ 444 milhões. Em 2024, o FII Genial Malls (MALL11) comprometeu-se a adquirir 45% do Rio Anil Shopping por R$ 172 milhões.

Ações vs. FIIs: Volatilidade e Tributação em Pauta

Felipe Sousa, analista de fundos alternativos do Andbank, reconhece que a previsibilidade dos dividendos corporativos tem aproximado ações de shopping centers dos FIIs. No entanto, ele alerta que as ações são naturalmente mais voláteis e podem exigir um período de aprendizado para investidores menos experientes. Para quem busca mais segurança, os FIIs podem ser mais adequados.

Em relação à tributação, Sousa concorda que empresas como a Allos oferecem a vantagem do potencial ganho de capital, que é isento de Imposto de Renda (IR) para vendas de até R$ 20 mil mensais. Por outro lado, os FIIs se beneficiam da isenção sobre os dividendos distribuídos, uma vantagem estrutural importante. Contudo, o analista ressalta que a eficiência operacional, estrutura e governança devem ser os principais fatores na decisão de investimento, e não apenas as vantagens tributárias.

Riscos e Modelos de Negócio Distintos

Os riscos operacionais, como vacância, desempenho de lojistas e reciclagem de portfólio, são semelhantes tanto para empresas de shopping quanto para FIIs. A principal distinção reside no modelo de negócio: a Allos administra diretamente os imóveis, enquanto os FIIs são proprietários que não gerenciam a operação.

Para carteiras focadas em ganho de capital, as ações da Allos podem ser mais indicadas no momento atual, desde que o investidor esteja ciente e confortável com a maior volatilidade inerente a esse tipo de ativo.

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