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Dólar despenca para R$ 5,17 após Suprema Corte dos EUA derrubar tarifas de Trump, impulsionando busca por risco global

Dólar em queda livre: Suprema Corte dos EUA reverte tarifas de Trump e anima mercados globais

O dólar americano registrou forte queda nesta sexta-feira (20), atingindo R$ 5,1766, um recuo de 0,99%. O movimento acompanhou um cenário global de maior apetite por risco, desencadeado por uma decisão crucial da Suprema Corte dos Estados Unidos. A corte derrubou tarifas comerciais impostas anteriormente pelo então presidente Donald Trump.

A moeda norte-americana contra o real encerrou o dia com essa desvalorização significativa. Enquanto isso, o índice DXY, que compara o dólar a seis moedas fortes, mostrava leve queda de 0,04%. Na semana, o dólar acumulou baixa de 1,03%, e no ano, a desvalorização chega a 5,69%.

Essa reviravolta nos mercados é reflexo direto da decisão judicial que limitou o poder executivo na imposição de tarifas. Conforme informação divulgada pela Reuters, a Suprema Corte entendeu que a interpretação da norma para impor tarifas comerciais extrapolou as atribuições do Executivo, invadindo competências do Congresso e violando a doutrina das “questões principais”.

Mercados reagem positivamente à decisão da Suprema Corte

A decisão da Suprema Corte dos EUA teve um impacto imediato nos mercados globais. No Brasil, além da queda expressiva do dólar, as taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) também apresentaram recuo em toda a curva. A taxa do DI para janeiro de 2028 fechou em 12,54%, com queda de 7 pontos-base, e o DI para janeiro de 2035 marcou 13,38%, recuando 6 pontos-base.

Nos Estados Unidos, o cenário foi distinto. Os rendimentos dos Treasuries avançaram, indicando uma redução nas posições de investidores em títulos públicos. O Treasury de dez anos, uma referência global, subia 1 ponto-base, atingindo 4,086%.

Trump reage e anuncia novas medidas protecionistas

Em resposta à decisão da Suprema Corte, Donald Trump criticou a medida e afirmou ter mecanismos alternativos para implementar tarifas. Ele anunciou a intenção de assinar uma ordem para estabelecer uma tarifa global de 10%, baseada na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, além de iniciar novas investigações comerciais.

Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, as tarifas haviam sido apresentadas como uma possível fonte de arrecadação para reduzir o déficit fiscal americano. A derrubada dessas medidas pela corte elimina essa perspectiva de consolidação fiscal a longo prazo, o que pode pressionar os juros mais longos no mercado norte-americano.

Perspectivas para a taxa de juros nos EUA mudam

As probabilidades dos contratos futuros de juros nos EUA indicam uma mudança na expectativa sobre a taxa básica de juros. Na reunião de junho do Federal Reserve, a probabilidade de manutenção da taxa era de 46,2%, ante 45,6% de chance de um corte de 25 pontos-base. No dia anterior, as chances eram de 41,4% para manutenção e 48,1% para redução, demonstrando uma oscilação na percepção do mercado.

A decisão da Suprema Corte e as declarações de Trump adicionam camadas de incerteza e volatilidade aos mercados, influenciando diretamente a performance de moedas como o dólar e moldando as expectativas futuras sobre as políticas econômicas dos Estados Unidos.

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