Dólar sobe mais de 0,6% e fecha a R$ 5,25 em dia de volatilidade por dados de inflação e tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O mercado de câmbio brasileiro operou sob forte pressão nesta quinta-feira (26), com o dólar à vista registrando um avanço de 0,69%, terminando o dia cotado a R$ 5,2562. A moeda americana ganhou força impulsionada por um cenário de aversão ao risco entre os investidores, intensificado por novos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e dados de inflação doméstica acima do esperado.
O movimento do dólar no Brasil acompanhou a tendência global, com o índice DXY, que mede o desempenho da divisa americana contra uma cesta de moedas fortes, também apresentando alta. A instabilidade externa, somada às incertezas internas sobre a trajetória da inflação e as projeções econômicas, manteve os investidores em alerta.
No cenário doméstico, a prévia da inflação, o IPCA-15 de março, surpreendeu ao registrar uma alta de 0,44%, superando as expectativas de mercado. Este resultado, juntamente com as revisões nas projeções de inflação do Banco Central e a persistente tensão geopolítica, contribuiu para a valorização do dólar frente ao real. As informações foram divulgadas em reportagem do Money Times.
IPCA-15 Acima do Previsto e Revisão do BC Sinalizam Pressão Inflacionária
A divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) para março revelou uma aceleração nos preços, com alta de 0,44%, superando a mediana das projeções que apontava para 0,29%. Os setores de Alimentação e Bebidas e Despesas Pessoais foram os principais responsáveis por puxar o índice para cima. Apesar de a taxa acumulada em 12 meses, de 3,90%, ainda estar dentro do teto da meta de inflação do Banco Central, a surpresa na leitura mensal acende um sinal de alerta.
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, destacou que o IPCA-15 ainda não reflete totalmente os impactos do aumento de preços decorrentes da guerra no Irã. A expectativa, segundo ela, é de que a pressão sobre os combustíveis e outros itens se manifeste de forma mais clara a partir do IPCA de março em diante. Isso adiciona uma camada de incerteza para as futuras decisões de política monetária.
Banco Central Ajusta Projeções e Menciona Resiliência Brasileira em Meio a Choques Geopolíticos
Em paralelo, o Banco Central revisou para cima suas projeções de inflação no horizonte relevante, indicando um cenário de maior atenção. O Relatório de Política Monetária (RPM) apontou para uma elevação de 0,1 ponto percentual na expectativa para o terceiro trimestre de 2027, que agora soma 3,3%. Fatores como a alta do preço do petróleo e uma revisão no hiato do produto, que sugere uma atividade econômica acima do potencial, explicam parte dessa mudança.
Apesar das pressões, economistas consultados pelo Money Times avaliaram que o RPM veio em linha com a comunicação recente do Copom, reforçando o cenário de incertezas geopolíticas e os riscos associados ao conflito no Oriente Médio para a inflação. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o Brasil entra neste choque geopolítico em uma posição relativamente mais confortável do que outros países, citando o aperto monetário antecipado e o fato de o país ser exportador líquido de petróleo como fatores positivos.
Conflito no Oriente Médio Mantém Investidores em Alerta e Impulsiona Dólar Globalmente
As tensões no Oriente Médio continuaram a ser um fator determinante para o mercado financeiro global. O prolongamento do conflito no Irã aumentou a aversão ao risco, com novas incertezas sobre a duração da guerra e seus desdobramentos. Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a situação e a possibilidade de negociações, geraram volatilidade adicional.
A notícia de que o Irã permitiria a navegação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, interpretada como um gesto de boa vontade, chegou a influenciar os preços do petróleo, que retornaram ao patamar de US$ 100 o barril. No entanto, a persistência do conflito e a escalada das tensões na região continuaram a sustentar a demanda por ativos considerados seguros, como o dólar americano, favorecendo sua valorização frente às moedas de mercados emergentes, incluindo o real brasileiro, conforme avaliou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

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