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Dólar dispara com indicação de Warsh para o Fed, mas termina janeiro em forte queda de 4,40% ante o Real

Dólar sobe com nomeação para o Fed, mas consolida forte recuo mensal

Na última sexta-feira (30), o dólar à vista (USDBRL) registrou alta de 1,04%, fechando o pregão a R$ 5,2476. O movimento foi impulsionado pela indicação de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve (Fed), o Banco Central norte-americano, feita pelo presidente Donald Trump.

No entanto, apesar do avanço pontual, o dólar encerrou o mês de janeiro com um saldo negativo expressivo de 4,40% em relação ao real. A volatilidade reflete as expectativas do mercado financeiro em relação às políticas monetárias dos Estados Unidos e aos indicadores econômicos brasileiros.

A escolha de Warsh para o Fed, que ainda depende de aprovação no Senado, gerou repercussões mistas. Analistas apontam para a possibilidade de maior independência do banco central e menos cortes agressivos de juros. Conforme informação divulgada pelo Money Times, Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, avalia que a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Fed foi interpretada pelo mercado como um sinal de preservação da independência do Banco Central e de menor probabilidade de cortes agressivos de juros.

Impacto da indicação de Warsh no mercado

A nomeação de Kevin Warsh para o comando do Fed pode gerar, no curto prazo, pressão via um dólar mais forte globalmente e rendimentos (yields) mais elevados. Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, ressalta que a escolha de Trump reduz o risco político e pode levar a uma reprecificação mais saudável das taxas de juros em nível mundial a longo prazo.

A indicação de Warsh ainda precisa ser submetida ao Senado dos Estados Unidos para confirmação. A expectativa é que sua gestão priorize a estabilidade e evite movimentos bruscos na política monetária americana.

Tensões geopolíticas e cenário interno

Além da questão do Fed, as tensões geopolíticas voltaram a chamar a atenção dos investidores. Donald Trump anunciou que uma grande armada dos Estados Unidos está a caminho do Irã, aumentando a apreensão no cenário internacional.

No Brasil, o cenário interno também contribuiu para a movimentação do dólar. Dados recentes sobre o mercado de trabalho e as contas públicas, juntamente com a fraqueza das commodities, pressionaram o real.

Mercado de trabalho brasileiro em destaque

A taxa de desemprego no Brasil atingiu 5,1% no quarto trimestre de 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A média anual do indicador também registrou o menor patamar desde 2012, caindo de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025.

Rodolfo Margato, economista da XP, comentou que os dados reforçam o diagnóstico de um mercado de trabalho bastante apertado, com a taxa de desemprego significativamente abaixo do seu nível neutro. O C6 Bank projeta que a taxa de desemprego continue em níveis historicamente baixos ao longo de 2026, possivelmente terminando o ano em torno de 5,5%.

Contas públicas e dívida bruta

Em relação às contas públicas, o Banco Central informou que a dívida bruta fechou 2025 em 78,7% do PIB. Esse percentual ficou abaixo dos 79,0% registrados em novembro, mas acima dos 76,3% do final de 2024. A expectativa dos economistas consultados pela Reuters era de uma dívida bruta de 79,5% ao final de 2025.

Apesar da alta pontual do dólar na sexta-feira, o desempenho positivo do real em janeiro demonstra a resiliência da moeda brasileira diante de um cenário internacional complexo e de indicadores domésticos favoráveis no mercado de trabalho.

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