Dólar fecha fevereiro em forte recuo ante o Real, impulsionado por juros altos e fluxo estrangeiro
O dólar americano (USDBRL) encerrou fevereiro com uma desvalorização significativa frente ao real brasileiro, registrando uma queda de mais de 2% no acumulado do mês. Apesar de um cenário internacional marcado por cautela geopolítica e dados de inflação nos Estados Unidos acima do esperado, a moeda brasileira demonstrou força, impulsionada por fatores domésticos.
Nesta quinta-feira (26), o dólar à vista fechou cotado a R$ 5,1340, com uma leve queda de 0,10%. No acumulado da semana, a divisa americana recuou 0,81% contra o real, e no mês, a desvalorização alcançou 2,16%, evidenciando a **superioridade do real** no período.
O movimento do dólar refletiu uma tendência global, com o índice DXY, que mede a força da moeda americana contra uma cesta de seis divisas principais, também em queda. Especialistas apontam que, embora fatores externos como tensões geopolíticas e inflação nos EUA tenham sustentado alguma demanda pela moeda americana, o **diferencial de juros atrativo do Brasil** e o **fluxo positivo de investidores estrangeiros** foram determinantes para a valorização do real.
Inflação nos EUA e tensões geopolíticas como fatores de atenção
No cenário internacional, o Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos Estados Unidos apresentou uma alta de 0,5% em janeiro em relação a dezembro, e 2,9% na comparação anual. Esses números vieram acima das projeções de analistas, sugerindo um possível **aceleramento da inflação** nos próximos meses e levando as bolsas de Wall Street a operarem em queda.
Adicionalmente, declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o Irã, indicando insatisfação e a possibilidade de uso da força militar, além de menções a Cuba, aumentaram a **cautela geopolítica** no mercado financeiro global, o que geralmente favorece a busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar.
Brasil: Juros altos e IPCA-15 acima do esperado sustentam o Real
Em contrapartida, o Brasil apresentou sua prévia de inflação, o IPCA-15, com avanço de 0,84% em fevereiro, totalizando 4,10% em 12 meses. Embora o número tenha acelerado em relação a janeiro, ele permanece dentro do teto da meta de inflação do Banco Central.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que a **manutenção da atratividade do diferencial de juros brasileiros**, reforçada pela divulgação do IPCA-15 acima das projeções, impulsionou os mercados de DI e limitou movimentos mais intensos do câmbio. Essa dinâmica permitiu que o real se destacasse entre as moedas.
Fluxo estrangeiro e carry trade como pilares da força do Real
O **elevado carry trade**, proporcionado pelo diferencial de juros doméstico, tem sido um forte aliado do real. Além disso, o **fluxo de capital estrangeiro** segue positivo, com entradas tanto na bolsa de valores quanto no mercado de renda fixa, o que contribui significativamente para a sustentação da moeda brasileira.
Esses fatores combinados criaram um ambiente favorável para o real, permitindo que ele se valorizasse de forma expressiva em fevereiro, mesmo diante de um cenário internacional de incertezas. A expectativa é que a atratividade dos juros brasileiros continue a ser um diferencial importante para a moeda nacional.

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