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Encontro no Paquistão Busca Solução para Guerra no Oriente Médio: Irã e EUA em Confronto Direto

Diplomatas de países-chave se reuniram neste domingo (29), em Islamabad, no Paquistão, em uma tentativa de frear a escalada do conflito no Oriente Médio. O encontro ocorre sob um cenário de impasse, com combates intensos no terreno enquanto as conversas avançam lentamente.

De um lado, Israel e Estados Unidos mantêm ofensivas contra alvos iranianos. Do outro, Teerã responde com uma combinação de mísseis e drones que se espalham pela região, ampliando o alcance e a tensão do confronto. O governo paquistanês informou que ministros das Relações Exteriores de Arábia Saudita, Turquia e Egito participaram das discussões.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou ter mantido “amplas discussões” com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, em busca de uma saída diplomática para a crise. Conforme informação divulgada pelas fontes, após um mês de guerra, o saldo já ultrapassa 3 mil mortos, com o estopim vindo de ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, seguidos por uma reação iraniana que atingiu não apenas território israelense, mas também países árabes do Golfo.

Líderes tentam destravar impasse em negociações diplomáticas

O chanceler egípcio, Badr Abdelatty, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, e o chanceler saudita, príncipe Faisal bin Farhan, estão em Islamabad para negociações. Essas reuniões ocorrem dias após os Estados Unidos apresentarem ao Irã uma lista de 15 pontos, entregue por meio do Paquistão como base para um possível acordo de paz.

Abdelatty afirmou que as reuniões buscam abrir um “diálogo direto” entre Estados Unidos e Irã, que têm se comunicado majoritariamente por meio de intermediários durante a guerra. Autoridades iranianas rejeitaram publicamente a proposta americana e descartaram negociar sob pressão. Ainda assim, a emissora estatal Press TV informou que Teerã elaborou uma contraproposta de cinco pontos, segundo uma fonte não identificada.

O plano iraniano prevê a interrupção da morte de autoridades iranianas, garantias contra novos ataques, reparações de guerra, o fim das hostilidades e o “exercício da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz”. As conversas de fim de semana pouco avançaram para reduzir o impasse entre Estados Unidos e Irã. Autoridades americanas afirmam que o conflito pode estar próximo de um ponto de inflexão, mas líderes iranianos seguem rejeitando negociações.

Irã ameaça atacar universidades ligadas a Israel e aos EUA

O Irã elevou o tom neste domingo após ataques aéreos atingirem diversas universidades, que Israel afirma serem utilizadas para pesquisa e desenvolvimento nuclear. A Guarda Revolucionária iraniana declarou que universidades israelenses e campi de instituições americanas na região poderão ser considerados “alvos legítimos” caso não haja garantias de segurança para universidades iranianas, segundo a mídia estatal.

Universidades americanas como Georgetown, New York University e Northwestern mantêm campi no Catar e nos Emirados Árabes Unidos. “Se o governo dos Estados Unidos quiser poupar suas universidades na região, deve condenar o bombardeio das universidades (iranianas) até as 12h de segunda-feira, 30 de março, em comunicado oficial”, afirmou a Guarda.

O grupo também exigiu que Washington impeça Israel de atacar universidades e centros de pesquisa no Irã. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, dezenas de instituições foram atingidas, incluindo a Universidade de Ciência e Tecnologia do Irã e a Universidade de Tecnologia de Isfahan.

Entrada dos Houthis amplia risco no conflito e afeta comércio global

O general de brigada houthi Yahya Saree afirmou, em transmissão pela emissora Al-Masirah, que o grupo lançou mísseis contra “alvos militares sensíveis” no sul de Israel. “Se intensificarem ataques contra navios comerciais, como já fizeram no passado, os houthis podem elevar ainda mais os preços do petróleo e desestabilizar a segurança marítima global”, afirmou Ahmed Nagi, analista do International Crisis Group.

O estreito de Bab el-Mandeb, no sul da Península Arábica, é essencial para navios que seguem em direção ao Canal de Suez pelo Mar Vermelho. A Arábia Saudita tem enviado milhões de barris de petróleo por dia pela rota, já que o Estreito de Ormuz está, na prática, fechado. Entre novembro de 2023 e janeiro de 2025, os houthis atacaram mais de 100 embarcações comerciais com mísseis e drones, afundando duas.

O grupo afirma agir em solidariedade aos palestinos na guerra entre Israel e Hamas. A nova ofensiva também complica o possível deslocamento do porta-aviões USS Gerald R. Ford, que chegou à Croácia no sábado para manutenção. Seu envio ao Mar Vermelho pode expô-lo a ataques semelhantes aos sofridos pelos porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower, em 2024, e USS Harry S. Truman, em 2025.

Balanço de mortos aumenta e conflito ameaça fluxo de petróleo

Autoridades iranianas afirmam que mais de 1.900 pessoas morreram no país, enquanto 19 mortes foram registradas em Israel. No Líbano, onde Israel iniciou uma incursão no sul contra o Hezbollah, mais de 1.100 pessoas morreram desde o início da guerra.

No Iraque, 80 integrantes das forças de segurança morreram após a entrada de milícias apoiadas pelo Irã no conflito. Nos países do Golfo, 20 pessoas morreram. Outras quatro foram mortas na Cisjordânia ocupada. O conflito começa a transbordar para além do campo militar, com o risco ao fluxo de petróleo e gás crescendo à medida que o Irã reforça o controle sobre o Estreito de Ormuz.

Fora da mesa de negociações no Paquistão, Estados Unidos e Israel seguem atuando diretamente no conflito. Washington, inclusive, intensificou o envio de reforços militares para a região. Ao mesmo tempo, a entrada de rebeldes do Iêmen no confronto, registrada no fim de semana, adiciona uma nova camada de complexidade e eleva o temor de uma guerra mais ampla, com efeitos sobre o comércio global.

Neste domingo, Israel voltou a relatar novos ataques lançados pelo Irã, enquanto explosões foram ouvidas em Teerã, sinalizando que, apesar dos esforços diplomáticos, a guerra segue longe de um desfecho.

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