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Estabilização da Dívida Pública Brasileira: Mello do Ministério da Fazenda Aponta Influência Crucial da Política Monetária do Banco Central

Dívida Pública: A Interdependência entre Fiscal e Monetário Segundo Guilherme Mello

A estabilização da dívida pública no Brasil não é um feito alcançável unicamente pelas ações fiscais do governo. Segundo Guilherme Mello, Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, a melhora deste indicador crucial está intrinsecamente ligada à política monetária conduzida pelo Banco Central (BC).

Em uma coletiva de imprensa, Mello, que é avaliado para uma diretoria no BC, ressaltou a importância da coordenação entre as políticas econômica, fiscal e monetária. Ele destacou que essa harmonia já tem demonstrado resultados positivos no controle da inflação em 2025.

Um relatório recente da Secretaria de Política Econômica (SPE) reforça essa visão, apontando que o alto custo financeiro com os juros da dívida pública, impulsionado pela elevada taxa Selic, foi o principal motor do recente aumento do endividamento do país. Conforme informação divulgada pela SPE, “Evidentemente que a dívida é um indicador que não é puramente fiscal, ela depende de decisões de política monetária, depende de um conjunto de outras coisas, então a própria projeção dela muda muito conforme muda a curva de juros”.

O Impacto da Taxa Selic no Endividamento Público

Os dados apresentados pela SPE indicam que a dívida pública bruta do Brasil encerrou 2025 em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Este percentual representa um aumento de 2,4 pontos percentuais em comparação com o ano anterior. O principal fator por trás dessa elevação foi o expressivo gasto do governo com o pagamento de juros da dívida, que alcançou a marca de R$ 1 trilhão no período.

Diante deste cenário de alto custo financeiro, a SPE enfatiza, em seu relatório, que “No cenário de elevado custo financeiro, a promoção do crescimento econômico sustentado mostra-se como essencial para a estabilização da dívida bruta”. A proposta é que o crescimento da economia possa, eventualmente, diluir o peso da dívida em relação ao PIB.

Coordenação de Políticas para Estabilidade Financeira

O Banco Central tem mantido a taxa Selic em 15% ao ano, o patamar mais alto em quase duas décadas, em sua estratégia para combater a inflação. Recentemente, o BC sinalizou a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes na taxa básica de juros já em março, o que poderia aliviar a pressão sobre os gastos com juros do governo.

Guilherme Mello fez questão de salientar que o governo dispõe, em seu arcabouço fiscal, de mecanismos que contribuem significativamente para a estabilização da dívida pública. A expectativa é que a articulação entre as esferas fiscal e monetária seja a chave para um futuro financeiro mais estável.

Mello no Banco Central: Uma Nomeação Estratégica

A indicação de Guilherme Mello para uma diretoria do Banco Central, especificamente na área de Política Econômica, está sendo vista como um passo importante. Essa diretoria é responsável pela elaboração dos modelos que fundamentam as decisões de política de juros da autarquia. A confirmação de seu nome pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforça a intenção do governo em promover uma maior sintonia entre as políticas econômica e monetária.

Mello, professor da Unicamp e com histórico de atuação no plano econômico de Lula em 2022, tem uma inclinação à esquerda que gerou certa apreensão no mercado financeiro. No entanto, sua potencial chegada ao BC é interpretada como um movimento para alinhar as estratégias de controle inflacionário e de estabilização da dívida pública, buscando um equilíbrio entre as diversas frentes da economia brasileira.

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