O brilho da América se apaga, e o mundo questiona a liderança dos EUA, enquanto a IA avança.
O Fórum Econômico Mundial em Davos revelou um cenário complexo: aliados históricos dos Estados Unidos demonstram crescente ceticismo em relação à liderança americana. Paralelamente, a admiração pelas inovações em inteligência artificial (IA) desenvolvidas nos EUA permanece intacta.
A IA dominou as discussões em Davos, refletindo seu impacto transformador. No mundo do capital de risco, 2025 foi um ano de investimentos recordes em IA, mas com uma peculiaridade: os aportes foram maiores, porém em menor número de transações. Isso levanta preocupações sobre a criação de novas empresas e empregos.
A constatação é que a América pode estar perdendo seu dinamismo. A mobilidade social, que antes era uma marca registrada, mostra sinais de estagnação. Conforme informação divulgada pela Fortune, em 1940, 90% dos filhos ganhavam mais que seus pais; hoje, essa projeção cai para 50% entre os millennials. Países como Suécia, Alemanha, França e Japão oferecem mais oportunidades de ascensão econômica.
O Custo da Desigualdade e a Perda de Dinamismo
A concentração de riqueza nos Estados Unidos é alarmante. Em 2021, o 1% mais rico detinha uma riqueza 15 vezes superior à dos 50% mais pobres, controlando cerca de um terço dos ativos do país. Essa disparidade crescente enfraquece a democracia, alimenta a polarização e compromete a segurança nacional.
A perda de dinamismo econômico nos EUA tem consequências severas para amplos setores da sociedade. A percepção de que a América já não é a terra das oportunidades pode ter um impacto negativo na confiança e no futuro do país.
Um Novo Modelo: Do Acionista para o Stakeholder
A boa notícia é que a mudança é possível. Líderes empresariais já buscam um novo caminho, afastando-se de um modelo que prioriza apenas acionistas para abraçar uma visão que considera todos os envolvidos: funcionários, clientes e a sociedade. Essa transição visa reavivar o espírito empreendedor.
Exemplos práticos demonstram o sucesso dessa abordagem. O ex-CEO do PayPal, Dan Schulman, ao descobrir um funcionário vendendo plasma para complementar a renda, implementou um plano para aumentar o rendimento líquido médio dos colaboradores. A iniciativa resultou em aumento de produtividade e redução da rotatividade.
Peter Stavros, CEO da KKR, defende a motivação dos funcionários da linha de frente, aqueles que garantem a qualidade e a entrega. Na KKR, planos de participação acionária distribuíram US$ 175 mil para o trabalhador médio na venda de uma empresa, evidenciando o poder de engajamento.
Empresas que Priorizam Pessoas e o Planeta
A rede de supermercados Publix, amplamente controlada por funcionários, lidera em confiança do consumidor, com clientes 54% mais propensos a comprar na empresa. Esse modelo de negócio demonstra que o bem-estar dos colaboradores se traduz em sucesso financeiro.
Existem mais de 8.000 empresas nos EUA classificadas como “benefit corporations”, negócios com propósito social e ambiental. Nomes como Danone, Unilever e Patagonia exemplificam essa tendência de empresas que buscam um impacto positivo.
Embora possa haver uma troca aparente entre lucro e valores no curto prazo, a longo prazo, essa dicotomia se desfaz. A Patagonia, por exemplo, vê a responsabilidade social como um investimento no futuro, não uma renúncia a lucros.
Expandindo o Acesso e Reduzindo Barreiras
Atualmente, cerca de 18% dos trabalhadores americanos possuem participação acionária em suas empresas. É crucial expandir o acesso a planos de participação acionária e fundos de propriedade dos trabalhadores. A iniciativa “Trump Bonds” para crianças, que oferece participação nos mercados de capitais, é um passo na direção certa.
É fundamental aumentar a transparência nos mercados financeiros, permitindo que investidores e funcionários tomem decisões informadas. Além disso, a redução das barreiras para a abertura de novos negócios é essencial para revitalizar a economia.
Uma América dinâmica depende de uma vasta gama de aplicações de IA, não se limitando a poucos modelos no Vale do Silício. A prosperidade, como destacou Larry Fink, presidente interino do Fórum Econômico Mundial, não se mede apenas pelo PIB, mas pela capacidade de todos construirem um futuro. Restaurar a força dos EUA no mundo significa viver seus ideais, onde o trabalho árduo permite a prosperidade para todos.

O Pra Quem Investe é um portal dedicado a transformar informação financeira em conhecimento acessível. Aqui, você encontra notícias, análises, insights e conteúdos educativos criados para ajudar investidores — iniciantes ou experientes — a entender o mercado, tomar decisões mais seguras e construir um futuro financeiro sólido. Nosso objetivo é simplificar o mundo dos investimentos e mostrar, na prática, como uma boa gestão financeira pode mudar vidas.













