Ex-presidente do BRB detalha pressão sobre dono do Banco Master em negociação de carteiras de R$ 12,2 bilhões
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, prestou depoimento à Polícia Federal em dezembro passado, revelando detalhes sobre as negociações de carteiras de crédito com o Banco Master. Ele afirmou ter cobrado diretamente Daniel Vorcaro, proprietário do Master, em diversas ocasiões e de forma enfática.
Segundo a investigação da PF, o BRB adquiriu um volume expressivo de R$ 6,7 bilhões em carteiras do Banco Master, além de pagar um prêmio adicional de R$ 5,5 bilhões, totalizando uma operação de R$ 12,2 bilhões. As carteiras em questão foram originadas por empresas como a Tirreno e a Cartos, que possuíam vínculos com o Master.
Costa admitiu que, embora não tenha identificado os ativos como “podres” inicialmente, o BRB encontrou inconsistências na documentação, que não atendia aos padrões regulatórios do Banco Central. Essa situação culminou em cobranças diretas a Daniel Vorcaro, conforme relatado em depoimento, conforme informação divulgada pela Polícia Federal.
Cobranças diretas e a busca por soluções
Paulo Henrique Costa relatou à Polícia Federal que, em maio do ano passado, ele pressionou Daniel Vorcaro diretamente sobre a necessidade de substituir as carteiras adquiridas. Foi nesse período que o BRB percebeu que os créditos não eram originários diretamente do Master, mas sim de outras empresas, como a Tirreno e a Cartos.
“O meu celular vai mostrar esses registros, essas cobranças, nem sempre de uma maneira muito delicada, de recebimento e busca desses documentos”, declarou Paulo Henrique Costa à PF. Essa afirmação indica a **tensão e a urgência** nas tratativas para resolver a questão dos ativos.
Duas opções para o BRB diante dos ativos problemáticos
O ex-presidente do BRB explicou que, diante dos problemas identificados, o banco se viu com duas alternativas principais. A primeira consistia em fazer com que o Banco Master, de Daniel Vorcaro, substituísse os ativos problemáticos por outros, o que de fato aconteceu.
A segunda opção era a revenda dessas carteiras para as empresas Tirreno e Cartos, com as quais o Master mantinha relações comerciais. Negociações nesse sentido chegaram a ocorrer com representantes dessas companhias, demonstrando a complexidade da operação.
O “saldo contábil” e a impossibilidade de venda integral
Paulo Henrique Costa também esclareceu que nunca foi possível vender a totalidade dos R$ 6,7 bilhões em carteiras adquiridas do Master. Segundo ele, o motivo era que esse montante “não existia no Master” e representava apenas um saldo contábil na instituição de Daniel Vorcaro.
“Na investigação, parece que o dinheiro existia e estava depositado no Master, e não estava, aquilo era um saldo contábil. A gente não exerceu o direito imediato de receber aquele dinheiro porque geraria uma quebra e o BRB não conseguiria concluir o ciclo de troca de ativos que ele precisava cumprir. Geraria uma perda para o BRB significativa”, explicou o ex-presidente.

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