Mercado de Trabalho Americano Forte Adia Expectativas de Corte de Juros do Fed
Os Estados Unidos apresentaram um cenário econômico mais robusto do que o esperado no início do ano. Dados recentes divulgados pelo Departamento do Trabalho revelaram a criação de 130 mil novas vagas de emprego em janeiro, um número significativamente superior à projeção de 65 mil postos feita pelo mercado. Esse desempenho reforça a resiliência do mercado de trabalho americano, um fator crucial na tomada de decisões do Federal Reserve (Fed).
Apesar de uma ligeira revisão para baixo no número de vagas criadas em dezembro, que passou de 50 mil para 48 mil, o resultado de janeiro se destaca. O economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, ressaltou que o relatório apresentou um quadro mais forte que o antecipado. Ele explicou que a força do mercado de trabalho foi impulsionada pelo setor privado, responsável por 172 mil novas contratações.
Com o resultado de janeiro, a média de novas admissões nos últimos três meses atingiu 73 mil por mês, indicando uma recuperação mais consistente em comparação com o último trimestre de 2025. De forma geral, o relatório aponta para um mercado de trabalho sólido, com indicadores que merecem atenção especial do Fed na definição de sua política monetária.
Desemprego em Queda e Participação em Alta: Sinais Mistos para o Fed
A taxa de desemprego nos Estados Unidos recuou para 4,3% em janeiro, um patamar inferior à expectativa de 4,4% e abaixo do registrado anteriormente. O que chama a atenção é que essa queda ocorreu mesmo com um aumento na taxa de participação da força de trabalho, que subiu de 62,4% para 62,5%. Isso significa que mais pessoas buscaram ativamente por emprego, e o mercado conseguiu absorver essa oferta adicional.
Esse cenário, onde mais pessoas entram no mercado e, ainda assim, o desemprego diminui, demonstra uma capacidade de absorção de mão de obra consistente. Para o Fed, um mercado de trabalho aquecido pode ter implicações na inflação, justificando a cautela na decisão de cortar juros.
Salários em Alta: Pressão Inflacionária Persiste
No quesito rendimentos, o salário médio por hora nos EUA avançou 0,4% em janeiro, acumulando uma alta de 3,7% nos últimos 12 meses. Salles aponta que essa variação mantém os salários em um ritmo de crescimento que tende a pressionar a inflação, especialmente no setor de serviços, que é mais sensível ao aumento do custo do trabalho. O comportamento dos salários é um dos principais focos do Fed, pois impacta diretamente a dinâmica inflacionária.
Corte de Juros em Março Menos Provável, Apontam Investidores
Diante de um mercado de trabalho resiliente e uma inflação que ainda mostra sinais de pressão, as expectativas de um corte na taxa de juros já em março diminuíram consideravelmente. As apostas em um corte na próxima reunião do Fed, medidas pelo CME FedWatch, caíram de 23,2% para 6,4%. O economista Felipe Salles sugere que o Fed pode aguardar mais dados sobre a inflação e o emprego referentes a fevereiro para ter maior clareza. Por enquanto, a expectativa predominante é de manutenção da taxa de juros no intervalo atual de 3,5% a 3,75%.
A leitura geral é que o Federal Reserve prefere observar mais sinais de desaceleração econômica antes de iniciar um novo ciclo de afrouxamento monetário, priorizando o controle inflacionário. A decisão futura dependerá, em grande parte, dos próximos indicadores econômicos divulgados.

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