Geração Z busca frear vício em celular com “cadeados” digitais e compartilha nas redes
Em meio a uma onda de busca por bem-estar, a Geração Z encontra nas redes sociais um paradoxo: a própria plataforma que fomenta o vício em celular se tornou palco para a divulgação de métodos para combatê-lo. A tendência do “detox digital” ganha força com produtos inovadores que prometem dar um “freio de mão” no uso compulsivo de smartphones, sem a necessidade de abandoná-los completamente.
Essa nova leva de gadgets, que funcionam como verdadeiros “cadeados” para celulares, visa criar barreiras físicas e mentais contra o “doomscrolling”, o ato de rolar infinitamente feeds de notícias e redes sociais. Jovens buscam recuperar o foco, melhorar o sono e ter mais controle sobre seu tempo, enquanto compartilham suas experiências e resultados online.
O fenômeno, que pode parecer irônico por ser divulgado nas mesmas plataformas que incentivam o uso excessivo, reflete a crescente preocupação com os impactos do vício em smartphone. Conforme informações divulgadas pela Fortune, empresas como Bloom e Brick estão surfando essa onda, oferecendo soluções criativas para um problema cada vez mais real entre os jovens.
Bloom e Brick: Os “Cadeados” Digitais que Viraram Tendência
A Bloom, por exemplo, lançou um cartão de aço inoxidável de US$ 39 que, em conjunto com um aplicativo, permite ao usuário bloquear o acesso a apps específicos por um período determinado. Para acessar os aplicativos bloqueados, é preciso encostar o cartão no celular, criando um obstáculo intencional. Giancarlo Novelli, cofundador da Bloom e estudante da UCLA, relata que o produto o ajudou a reduzir o próprio uso do celular e a melhorar seu foco.
Novelli compara a situação atual do uso de smartphones ao tabagismo no passado, quando o hábito era normalizado até que seus malefícios fossem comprovados. Ele aponta que aplicativos de vídeo curto, como TikTok e Instagram, surgiram na última década e seus efeitos viciantes, comparados a “uma máquina caça-níquel no bolso” devido à liberação de hormônios de bem-estar, ainda não foram totalmente estudados.
Similarmente, a Brick oferece um dispositivo de US$ 59 que também funciona como uma barreira física. Kristian del Rosario, advogada e influenciadora digital, conta à Fortune que percebeu um aumento na produtividade desde que começou a usar o produto da Brick. Ela destaca que o dispositivo cria um obstáculo adicional em comparação com recursos nativos do iPhone, como o Tempo de Uso, pois exige uma interação física para desbloquear os aplicativos.
A Busca pelo Analógico e a Controvérsia do “Detox” Online
A popularidade desses “cadeados” digitais também se alinha com a preferência crescente da Geração Z pelo analógico no mundo digital. A busca por equivalentes físicos de serviços digitais, como discos de vinil e cartões escritos à mão, reflete um desejo por experiências mais tangíveis e uma forma de reduzir o tempo de tela.
No entanto, a própria divulgação desses produtos levanta questões. O colunista Alex Kirshner, da Slate, expressou ceticismo em relação à sinceridade de influenciadores que promovem dispositivos como Brick ou Bloom, argumentando que o ato de postar sobre o “detox” online contradiz a própria mensagem de reduzir o tempo de tela. Essa contradição gera debates sobre a real eficácia e a autenticidade da tendência.
O Futuro do Controle Digital e a Responsabilidade Individual
TJ Driver, fundador da Brick, explica que a intenção é transformar o “doomscrolling” automático em uma decisão mais consciente, adicionando um momento de intencionalidade para que o usuário decida se realmente quer abrir um app ou permanecer presente. Del Rosario complementa que o dispositivo a ajudou a reorganizar sua rotina noturna, permitindo momentos de relaxamento sem o acesso compulsivo às redes sociais.
Apesar das controvérsias, Novelli acredita que as redes sociais em si não são o problema, mas sim o hábito automático de usá-las. Ele defende que o desafio reside em como cada indivíduo regula seu próprio uso. A Bloom já vendeu mais de 60 mil unidades e planeja expandir suas funcionalidades para laptops, reconhecendo que outros dispositivos também podem se tornar “ralos de tempo”.
A discussão sobre o vício em smartphones se intensifica, com o chefe do Instagram, Adam Mosseri, diferenciando “dependência clínica” de uso “problemático” em um julgamento contra a Meta. Seja qual for a definição, é inegável que muitos jovens lutam para reduzir o tempo de tela, mesmo quando desejam. A Geração Z, que consome informações e se conecta com o mundo através do celular, enfrenta o desafio de encontrar um equilíbrio saudável na era digital.

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