XP (XPBR31) subestimada pelo mercado, aponta gestor da Springs Capital, que prevê valorização com o ciclo de juros
A XP (XPBR31) pode ser o ativo mais subestimado entre as grandes instituições financeiras do país. Com as ações em Nova York negociando abaixo de dez vezes o lucro projetado para o ano, a empresa reúne as condições para uma valorização expressiva assim que o ciclo de juros virar. Quem não estiver posicionado antes pode perder o movimento mais relevante do setor.
A avaliação é de André Caldas, sócio, CIO e administrador da Springs Capital. Para o gestor, o mercado está errando ao ignorar o potencial de re-rating da XP em um cenário de corte de juros e retomada do apetite por risco. O executivo participou do programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo.
“É um curto prazo ainda desafiador. Agora, um cenário de corte de juros e bull market, esse ativo vai ter um re-rating importante”, afirmou Caldas. Enquanto BTG e Itaú dominam o debate sobre o setor bancário, a XP segue, na visão do gestor, mal amada e mal precificada. O desconto atual não reflete o que a empresa pode se tornar no médio prazo, especialmente diante das transformações em curso no seu modelo de negócios, conforme informação divulgada pelo Stock Pickers.
XP aposta na virada do B2C e no avanço do private para impulsionar crescimento
Um dos movimentos mais subestimados pelos analistas, na avaliação de Caldas, é o avanço da XP no modelo direto ao consumidor (B2C). Ao reduzir a dependência dos agentes autônomos e capturar o cliente sem intermediários, a empresa ganha consistência nas captações e elimina conflitos de interesse que historicamente pesaram sobre sua imagem.
“O B2C é muito importante para garantir uma manutenção do net new money de mais qualidade e mais consistente”, defendeu o gestor. A mudança estrutural, segundo ele, ainda não está devidamente incorporada nas projeções do mercado. Isso representa um potencial de valorização da XP.
Private banking da XP se mostra cada vez mais sofisticado
Caldas também destacou a sofisticação crescente da área de private da XP como um diferencial competitivo frente aos concorrentes. Para um nicho específico de clientes com patrimônio entre R$ 20 milhões e R$ 40 milhões, a disputa por excelência no atendimento e na oferta de produtos está se intensificando, beneficiando a atuação da XP.
“Existe um nicho de clientes de R$ 20, R$ 30, R$ 40 milhões que querem ser bem atendidos com produtos diferentes. Nisso, BTG e XP estão inovando bastante”, disse. A capacidade de inovar e atender a esse público demonstra a força da XP no segmento.
Outras apostas da Springs Capital: Construção Civil e Minha Casa Minha Vida
Fora do setor financeiro, o portfólio da Springs Capital aposta em construção civil voltada ao programa Minha Casa Minha Vida. A preferência é por empresas que combinam execução operacional sólida e múltiplos baixos. Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3) aparecem como exemplos de companhias negociando em torno de cinco vezes o lucro, patamar que Caldas considera atrativo para o momento.
A análise de André Caldas sugere que a XP está em um ponto de inflexão, com fortes catalisadores para um futuro positivo. A virada do ciclo de juros e as transformações estratégicas internas colocam a empresa como uma oportunidade de investimento promissora, com potencial de valorização significativa.

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