Grupo Mateus: Oportunidade em Meio à Turbulência Contábil
O Grupo Mateus (GMAT3), outrora uma das varejistas de alimentos mais elogiadas por analistas, enfrentou um revés significativo. Um erro contábil, no valor de aproximadamente R$ 1 bilhão, na contabilização de estoques e custos de mercadorias vendidas, levou a companhia a perder até 30% de seu valor de mercado.
A descoberta do erro, que exigiu correções substanciais, abalou a confiança do mercado. A empresa, que na época não contava com auditoria das chamadas ‘big four’ (as quatro maiores redes globais de auditoria), identificou a falha internamente. Para solucionar a questão, foi contratada uma consultoria especializada.
Apesar do impacto financeiro e dos danos reputacionais, o gestor Octávio Magalhães, da Guepardo Investimentos, enxergou na queda uma janela de oportunidade única. Ele acredita que o mercado reage de forma exagerada a problemas que podem ser superados, abrindo espaço para investimentos estratégicos. Conforme informação divulgada pelo podcast Market Makers, Magalhães explica a visão de investimento.
A Visão de Copo Meio Cheio na Guepardo Investimentos
Magalhães adota uma perspectiva otimista diante do ocorrido. Ele compara a situação a um copo meio cheio ou meio vazio. Para ele, o lado positivo reside no fato de que a empresa, embora desorganizada, identificou o problema, corrigiu-o e agora possui maior controle sobre suas operações e finanças, incluindo a intenção de buscar auditoria de uma ‘big four’.
O gestor argumenta que, se o investidor confia na resolução do problema e na reorganização da empresa, o ativo passa a negociar a preços consideravelmente atrativos. Essa convicção levou a Guepardo Investimentos a aumentar sua exposição à varejista.
“Eu olho o copo meio cheio. Teve fundo que zerou posição, saiu totalmente. Outros entraram. Nossa posição era pequena e aproveitamos o evento para aumentar bastante. Cerca de 70% da posição atual foi comprada após os eventos. Triplicamos nossa exposição”, afirmou Magalhães.
O Ativo Subvalorizado: Crescimento Zero Precificado
A estratégia de Magalhães baseia-se na crença de que o mercado, atualmente, precifica o Grupo Mateus como se não houvesse espaço para crescimento futuro. Ele considera o ativo “de graça” nesse cenário, pois o preço atual não reflete o potencial de recuperação e expansão da companhia.
“Como se o retorno sobre o investimento (ROI) estivesse abaixo do custo de capital. Como se cada R$ 1 investido valesse R$ 0,50. Não é apenas uma questão de múltiplo de P/L (preço sobre o lucro) comparado ao passado. É o fato de que o mercado não está atribuindo nada ao crescimento”, detalhou o gestor.
Recuperação em Andamento e Potencial de Valorização
Desde dezembro, as ações do Grupo Mateus já apresentaram uma alta de 25%, e no acumulado do ano, o ganho é de 23%. Apesar dessa recuperação, o papel ainda acumula uma queda de 32% em relação à sua máxima histórica, indicando um considerável espaço para valorização caso as expectativas de Magalhães se concretizem.
A aposta do gestor na varejista reflete uma visão de longo prazo, confiando na capacidade da empresa de superar os desafios contábeis e reputacionais, e de capitalizar sobre sua forte presença nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

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