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Gigantes Elétricas Abandonam Trading de Energia no Brasil: Risco Aumenta, Geradores Recuam e Mercado Fica Mais Volátil

Elétricas Brasileiras Reduzem Agressivamente o Trading de Energia

Empresas do setor elétrico no Brasil estão diminuindo drasticamente sua atuação no trading de energia. O principal motivo é o aumento dos riscos envolvidos, tanto em termos de crédito quanto pela maior volatilidade dos preços. Paralelamente, uma retração nas vendas de energia por parte dos geradores também contribuiu para a menor liquidez no mercado para muitas comercializadoras.

A CPFL e a CTG Brasil, ambas grandes geradoras controladas por grupos chineses, são exemplos de empresas que optaram por não atuar mais com o chamado “trading direcional”. Essa modalidade envolve montar posições compradas ou vendidas em energia com o objetivo de lucrar com as variações de preço. Essa decisão reflete um cenário de maior cautela no setor.

Comercializadoras de energia de grupos como Capitale, Urca e Trinity também reduziram significativamente suas operações ou praticamente as zeraram. Essas empresas estão direcionando seus investimentos e estratégias para outros segmentos do mercado, segundo relatos de fontes e executivos do setor. A mudança de rota é uma resposta direta às novas condições do mercado.

O Impacto da Quebra da Gold Energia e a Busca por Segurança

A diminuição do trading de energia é uma consequência direta do retraimento geral após a quebra de diversas comercializadoras nos últimos anos. Um caso emblemático foi a Gold Energia, que protagonizou um calote bilionário no ano passado. Esse evento abalou o mercado e mudou a forma como muitos agentes passaram a administrar o risco de contraparte.

O mercado brasileiro de trading de energia, que movimenta dezenas de bilhões de reais anualmente, opera majoritariamente por meio de negociações bilaterais entre as empresas. Uma característica crucial é a ausência de uma contraparte central que ofereça visibilidade sobre a alavancagem de cada agente. Isso torna a reputação um fator de extrema importância.

A reputação é um pilar fundamental neste mercado, especialmente para as comercializadoras independentes, aquelas que não possuem ligação direta com empresas geradoras. A falência de uma única empresa pode desencadear uma reação em cadeia, contaminando todo o mercado e gerando desconfiança generalizada.

Grandes Jogadoras Redefinem Estratégias no Mercado Livre

Diante da piora do cenário, a CPFL e a CTG Brasil encerraram suas atividades de trading. Agora, elas concentram seus esforços em atender sua carteira de consumidores utilizando a energia proveniente de seu próprio parque gerador. A energia que ficaria descontratada no futuro será aproveitada para suprir essa demanda interna, minimizando riscos externos.

Em comunicado, a CPFL informou que sua atuação no mercado livre está focada na comercialização de energia própria, oriunda de seu portfólio de geração convencional e renovável. A empresa busca, com essa estratégia, eliminar os riscos associados à atual conjuntura do trading de energia.

A CTG Brasil, por sua vez, encerrou sua subsidiária dedicada exclusivamente ao trading na segunda metade de 2024. A decisão foi classificada como estratégica e alinhada à consolidação de seu posicionamento de mercado. A geradora tem intensificado sua atuação comercial, impulsionada pela entrada em operação de novos projetos solares e eólicos.

Comercializadoras Independentes Buscam Novos Caminhos

O aumento do risco de crédito levou muitos geradores a evitarem ou suspenderem totalmente transações com comercializadoras independentes. Essa postura contribuiu para a redução da liquidez no mercado intermediário, que é essencial para a saúde do mercado como um todo.

As próprias comercializadoras também reduziram suas transações devido à percepção de um risco maior associado à volatilidade de preços. Mudanças em modelos matemáticos no ano passado também foram apontadas como um fator que inviabiliza previsões, levando algumas empresas a falar em “erros” nos modelos.

A Capitale, por exemplo, opera “conscientemente menor” desde 2024 e planeja reduzir o volume comercializado em 30% até 2026. O CEO, Daniel Rossi, ressalta que, com o modelo de preços atual e a volatilidade existente, é impossível operar como antes sem colocar muito em risco. A empresa foca em zerar portfólios existentes e atuar em pequenas oportunidades controladas.

A Trinity Energia, que já negociou cerca de 2 gigawatts (GW) médios por mês, hoje opera com apenas 10% desse volume. A empresa tem concentrado seus esforços em geração distribuída e em serviços de gestão e consultoria em energia, afastando-se do trading de energia de alta volatilidade.

A Urca Trading, do grupo Urca Energia, decidiu reduzir sua exposição a risco ainda no segundo trimestre de 2025. A empresa passou a focar em operações estruturadas com grandes players e realizou a venda de sua carteira varejista, buscando afastar-se do risco sistêmico e registrar resultados positivos.

Geradoras Adotam Postura Mais Conservadora

A menor liquidez no mercado de comercialização de energia também reflete uma postura mais contida de grandes geradoras, como a Copel. O CEO da empresa mencionou que a companhia está optando por deixar mais energia descontratada em seu portfólio para aproveitar os preços spot mais altos, evitando travar vendas em contratos de longo prazo com valores potencialmente menores.

A Axia, antiga Eletrobras e a maior geradora brasileira, também passou a ter muita energia disponível para negociação livre após sua privatização. No ano passado, a empresa chegou a adotar uma estratégia semelhante à da Copel, buscando maior flexibilidade e aproveitamento das condições de mercado.

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