Pressão da indústria adia discussão sobre fim da escala 6×1 e jornada de 40 horas na Câmara
A tramitação do projeto de lei que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados foi adiada. A decisão expôs a forte pressão de setores industriais contrários à medida, que buscam prolongar o debate e adiar a votação para após as eleições.
O pedido de retirada de pauta partiu do deputado Zé Adriano (PP-AC), presidente da Federação das Indústrias do Estado do Acre (FIEAC). Ele argumenta que a votação em ano eleitoral é inadequada e que é preciso analisar profundamente todos os reflexos da redução da jornada.
O deputado defende a realização de um levantamento pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) para medir o impacto da mudança na competitividade da economia brasileira. Zé Adriano também ressalta a necessidade de discutir formas de minimizar os efeitos sobre a produtividade das empresas, questionando como o governo lidaria com a necessidade de contratações e formação de mão de obra qualificada.
Oposição busca adiar votação e debate sobre impactos econômicos
Zé Adriano, que possui experiência em sindicatos patronais, defende que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) realize um estudo detalhado sobre a competitividade da economia brasileira. O objetivo é quantificar o impacto da redução da jornada de trabalho, que ele avalia ser mais profundo do que a mudança implementada em 1988, quando a jornada passou de 48 para 44 horas semanais.
O parlamentar insiste na necessidade de debater estratégias para mitigar os efeitos da redução de quatro horas na produtividade empresarial. “Se falar em reflexo financeiro, eu vou ter que contratar mais gente. Nós não temos essa mão de obra. Imagine que a gente vai ter que formar gente para competências de alto nível. Como é que o governo vai entrar nisso”, questiona.
Ministro do Trabalho descarta compensação e defende redução imediata
Em contrapartida, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, tem descartado a possibilidade de compensação governamental às empresas e defendido que a redução para 40 horas semanais possa ocorrer imediatamente. Zé Adriano considera essa postura “muito radical” e defende uma transição negociada, especialmente para micro e pequenas empresas.
“Acho que o governo precisa pensar em uma compensação sim”, afirma o deputado. “Tudo bem, a gente aceita 40. Mas como é que fica essa conta? Vai discutindo aos poucos. Porque não vai adiantar a gente ir para o plenário para ficar gritando um do outro”, complementa.
Ele reitera a importância de apresentar dados concretos. “A gente tem que mostrar números. O governo disse que não vai ter reflexo. Então, tá bom, me prova. Como é que fica a produtividade? É possível fazer algum compromisso com o setor privado, mas não pode simplesmente jogar a conta”, argumenta.
Projeto de lei e PEC tramitam em paralelo na Câmara
Além da retirada de pauta, um acordo de procedimentos prevê que a oposição possa solicitar adiamentos e vistas do relatório do projeto. O texto original é de autoria da deputada Daiana Santos (PC do B-RS) e seu parecer, elaborado pelo deputado Léo Prates (BA), propõe a redução da jornada para 40 horas semanais e a adoção da escala 5×2.
Daiana Santos já agendou uma conversa com Zé Adriano para buscar um alinhamento de posições. Ela afirma ter “total disposição para debatermos ponto a ponto e, assim, avançar com o projeto, que construímos coletivamente com diversos setores da sociedade civil”.
A deputada ressalta que “o fim da escala 6×1 já é um consenso para a maioria da população brasileira, com 71% de apoio”. Ela enfatiza a importância de os parlamentares estarem conectados com essa realidade e “escutarem a população”.
Debate sobre jornada de trabalho ganha força comxcitação de PEC
Nos bastidores, há quem defenda o apoio ao projeto de Daiana Santos como forma de evitar que uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe jornada de 36 horas semanais e o fim da escala 6×1, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), encontre maiores resistências. A expectativa é que, superados os instrumentos de obstrução, o projeto possa sair da comissão no final de abril ou início de maio, acompanhando a tramitação da PEC.
A pressão da indústria sobre o projeto de lei que visa o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais na Câmara dos Deputados evidencia a complexidade do debate. Setores empresariais buscam adiar a votação, argumentando a necessidade de mais estudos sobre os impactos econômicos e a competitividade do país. O governo, por sua vez, defende a redução como uma conquista para os trabalhadores, descartando compensações financeiras às empresas.

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